13 de mai. de 2008
RESPOSTA QUAL O SEU DIAGNÓSTICO DE 24/04
24 de abr. de 2008
QUAL O SEU DIAGNÓSTICO?
No exame neurológico constatou-se midríase bilateral não responsiva à luz e cegueira.
Pergunta-se:
a) qual a localização neuroanatômica da lesão?
b) quais os diagnósticos diferenciais?
c) quais os exames complementares indicados?
14 de abr. de 2008
Mieloma múltiplo em cão
É uma neoplasia maligna rara derivada do tecido hematopoiético, ocorrendo proliferação clonal de plasmócitos que secretam imunoglobulinas em excesso.
- Como conseqüência, o tecido ósseo é afetado - observa-se áreas de lise, principlamente na coluna vertebral, pelve, e ossos do crânio, e raramente ossos longos.
- As células plasmáticas podem afetar tecidos moles, como baço, fígado, linfonodos e rins
- Pode ocorrer hiperviscosidade pela secreção de imunoglobinas afetando sistema nervoso, respiratório e cardíaco.
- Para o diagnóstico é necessário encontrar: gamopatia monoclonal, células plasmáticas neoplásicas na medula óssea, lesóes ósseas líticas e proteinúria de Bence Jones.
http://www.bjvp.org.br/files/pdf/01/08%2001%20005.pdf
28 de mar. de 2008
CONTRAÇÕES MUSCULARES INVOLUNTÁRIAS- CLASSIFICAÇÃO
- aumento do tônus muscular
- tétano
- tetania
- espasticidade
- miotonia
- opistótono
- movimentos repetitivos
- tremor
- mioclonia
- outros
Definições:
TÉTANO: contração muscular mantida sem períodos de relaxamento, normalmente decorrente da toxina do Clostridium tetani
TETANIA: descreve condição similar mas caracterizada por contração muscular tônica intermitente, normalmente decorrente de hipocalcemia, mas pode ter outras causas, principalmente as metabólicas
ESPASTICIDADE: desordem motora caracterizada por aumento do tônus muscular com reflexos miotáticos exagerados, normalmente associado a lesão do tipo NMS
OPISTÓTONO: postura em que a cabeça e pescoço estão estendidos para tráas, acompanhada de aumento do tônus extensor dos membros
MIOTONIA; contração muscular sustentada, causada por um defeito primário na membrana muscular
TREMOR: estremecimento, vibração involuntária que poe ocorrrer durante o repouso ou movimento. A maioria dos tremores que ocorrem durante o movimento está associada com doenças cerebelares, intoxicações e doenças desmielinizantes
MIOCLONIA: contração rítmica e repetitiva de uma porção de um músculo, um músculo inteiro ou um grupo muscular . A causa mais comum é a cinomose.
AS CONTRAÇÕES MUSCULARES INVOLUNTÁRIAS PODEM SER CLASSIFICADAS PELA LOCALIZAÇÃO:
Músculo
- miotonia: As desordens das membranas celulares dos músculos podem resultar em miotonia, que é a contração da célula muscular sem relaxamento, após um estímulo fisiológico. Representa uma desordem da membrana celular muscular. A forma herdada em cães é descrita principalmente no chow-chow e schnauzer miniatura. A forma adquirida é vista em cães com hipeadrenocorticismo
Sistema nervoso:
- tétano - causado principalmente pela toxina tetânica. O grau de contração muscular varia entre os pacientes.
- Tetania - pode ocorrer com intoxicação por estricnina, em labradores é descrita uma forma congênita, ou pode ter causas metabólicas
- Mioclonia
- esporádica: pode ser benigna ou uma forma de convulsão. O movimento ocorre subitamente e não se repete imediatamente, a causa é desconhecida. Se a mioclonia se repete em minutos ou horas, pode ser uma convulsão simples parcial que pode ter origem estrutural. O paciente deve ser abordado como um paciente epiléptico e tratado com anticonvulsivantes
- repetitiva: pode ocorrer durante a ação, repouso e sono ou só quando o paciente está acordado
A. constante: ocorre somente em cães infectados pelo vírus da cinomose e raramente outras formas de encefalomielite e intoxicação por chumbo
B relacionada à ação: afeta músculos esqueléticos e é muito rápida, parecida mais com um tremor. Desaparece durante o sono ou relaxamento. Às vezes é definida como tremor de intenção e está relacionada a doenças cerebelares, nesse caso existem outros sinais associados. Pode ser adquirida ou congênita. A forma congênita comumente é causada por anormalidades na mielinização e os tremores são observados ao nascimento ou quando o filhote começa a andar. Não está presente quando o animal dorme. A forma adquirida é mais comum em cães brancos de raças pequenas, associado a ataxia cerebelar ou vestibular. O líquor pode ser anormal. Deve ser diferenciada de toxicoses, principalmente a micotoxina tremorgênica.
C. postural: relacionada à ação , mas é limitada aos músculos posturais envolvidos no suporte de peso e está ausente nos movimentos voluntários. Vista em cabeça e pescoço de cães jovens e membros pélvicos de cães idosos.
LEITURAS SUGERIDAS
Classifying involuntary muscle contractions. De lahunta, Glass & Kent
Compendium continuing Education, p.516-529, v.28, n.7, julho de 2006
http://vetneuromuscular.ucsd.edu/cases/2004/sep04.html
http://vetneuromuscular.ucsd.edu/cases/2003/mar03.html
http://vetneuromuscular.ucsd.edu/cases/2003/jun03.html
http://vetneuromuscular.ucsd.edu/cases/2001/jun01.html
19 de mar. de 2008
Hipoglicemia em cães e gatos
- A glicose é o principal suprimento energético para o funcionamento apropriado das células nervosas
- Hipoglicemia, ou seja, glicemia menor que 50 mg/dl, pode resultar em fraqueza, tremores musculares, convulsões, estupor ou coma e os sinais clínicos podem ser episódicos]
- A hipoglicemia prolongada leva a morte de neurônios e dano cerebral permanente
- Na hipoglicemia decorrente de insulinoma pode haver convulsão focal e generalizada, paresia, fraqueza, colapso, fasciculações musculares, alteração de comportamento e intolerância à exercício
Causas de hipoglicemia
- Hipoglicemia juvenil em raças toy
- Sobredose de insulina
- Insulinoma
- Exercício excessivo em cães de caça em jejum
- Insuficiência hepática
- Sepse
- Hipoadrenocorticismo
- Síndrome paraneoplásica (carcinoma hepatocelular, carcinoma mamário metastático, carcinoma pulmonar primário, leiomiossarcoma)
- Parasitismo excessivo
Diferencial
Em caso de convulsão e colapso diferenciar de problemas cardiovasculares (síncope), metabólicos (anemia, hipocalcemia) e neurológicos (epilepsia) entre outros.
Diagnóstico
O nível sérico de glicose pode ser baixo e depois normal entre os episódios hipoglicêmicos, sendo necessário a coleta repetida e em jejum. Podem haver outras anormalidades nos exames laboratoriais em caso de insuficiência hepática e sepse. Caso haja a suspeita de Insulinoma, deve-se coletar sangue em jejum e quando a glicemia estiver menor que 60, coletar sangue em tubo com fluoreto de sódio para dosagem de insulina pareada. O nível de insulina alto na presença de hipoglicemia sugere o tumor secretor de insulina.
Na ultra-sonografia abdominal pode-se às vezes visualizar insulinomas ou outras massas, mas a exploração cirúrgica é superior a este exame para o diagnóstico
Radiografias torácicas são indicadas para descartar neoplasias pulmonares
Tratamento
Glicose a 50%, 1 a 2 ml/kg, IV, diluído a 1:1 em salina, lentamente para corrigir a crise hipoglicêmica, ou sem diluir pela via oral nos animais capazes de engolir, ou xarope de milho se os sinais de hipoglicemia ocorrerem em casa. Em caso de hipoglicemia juvenil ou sobredose de insulina, esta terapia é adequada antes de levar o animal ao veterinário para investigar as causas da falha do controle da glicemia
Para insuficiência hepática, sepse ou insulinoma, terapia complementar é indicada
Insulinoma
A administração de glicose em cães com insulinoma alivia temporariamente o problema mas pode estimular o tumor a secretar mais insulina levando a hipoglicemia grave em poucas horas. Recomenda-se alimentar os animais a cada 4 ou 6 horas com refeições ricas em proteínas, gorduras e carboidratos complexos com pouco açúcar simples. Em casos refratários pode ser necessário administrar prednisona ou dexametasona
A remoção cirúrgica do insulinoma é mais indicada e oferece o melhor prognóstico a longo prazo, porém podem haver metástases e o prognóstico se torna reservado
O tratamento clínico envolve a administração de 3 a 6 refeições diárias, limitação de exercícios e administração de prednisona, com monitorização da glicemia, podendo haver sobrevida de até um ano .O diazóxido é outra opção caso esta terapia falhe.
http://www.pubmedcentral.nih.gov/picrender.fcgi?artid=385451&blobtype=pdf
http://www.pubmedcentral.nih.gov/picrender.fcgi?artid=1539786&blobtype=pdf
http://www.blackwell-synergy.com/doi/pdf/10.1111/j.1748-5827.2007.00404.x
29 de fev. de 2008
Avaliação dos resultados clínicos após cirurgia descompressiva em cães com doença de disco intervertebral
IUniversidade Estadual de Londrina Caixa Postal 6001 86051-990 – Londrina
IIMédico veterinário autônomo
IIIMédica veterinária - Hospital Veterinário - UEL
IVMédico veterinário – Residente - UEL
22 de fev. de 2008
DESORDENS QUE MIMETIZAM DOENÇAS ESPINHAIS
http://www.pubmedcentral.nih.gov/picrender.fcgi?artid=1539855&blobtype=pdf
http://www.pubmedcentral.nih.gov/picrender.fcgi?artid=1852590&blobtype=pdf
http://www.pubmedcentral.nih.gov/picrender.fcgi?artid=340171&blobtype=pdf
http://www.vetpathology.org/cgi/reprint/40/5/507
18 de fev. de 2008
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE DOR DIFUSA EM CÃES
- Dor difusa
- poliartrite
- polimiosite
- meningoencefalites
- fraturas vertebrais patológicas
- pancreatite
- cálculos renais ou ureterais
- doenças prostáticas
- Dor cervical
- bursite bicipital
- dor orofaríngea ou da articulação temporomandibular
- otite média
- neoplasias, abscessos ou massas em tecidos moles do pescoço
- poliartrite
- polimiosite
- afecções intratorácicas
- siringohidromielia
- neoplasias intracranianas
- subluxação atlantoaxial
- espondilomielopatia cervical caudal
- fratura vertebral patológica
- meningomielites
18 de dez. de 2007
SÍNDROME DE HORNER EM PEQUENOS ANIMAIS
A síndrome de Horner (SH) é o conjunto de sinais neuro-oftálmicos que se originam após
interrupção da inervação simpática de um ou ambos os olhos. Seus principais sinais clínicos são: Anisocoria (com miose no olho afetado), protrusão da terceira pálpebra, ptose palpebral e enoftalmia. Todos estes sinais podem estar evidentes ou surgem isoladamente o que é menos comum. Para compreender a etiopatogenia desta síndrome é necessário conhecer a neuroanatomia do sistema simpático do olho.Neuronatomia
De acordo com o critério funcional de classificação, o sistema nervoso pode ser dividido em: sistema nervoso somático (SNS) e sistema nervoso visceral (SNV). A porção eferente do SNV é denominada sistema nervoso autônomo (SNA), que é subdividido em sistema SIMPÁTICO e parasimpático. Anatomicamente o sistema nervoso simpático origina-se na região
toracolombar da medula espinhal, enquanto o sistema nervoso parassimpático origina-se do tronco encefálico ou da região lombossacral da medula espinhal. Ambos possuem suas atividades autonômicas controladas pelo hipotálamo e em alguns casos estas são antagônicas (Ex. No olho, o sistema nervoso simpático gera dilatação da pupila (midríase), já o parassimpático provoca a contração pupilar (miose).O órgão alvo do SNS é a musculatura estriada esquelética, sob controle voluntário do animal (Ex. O ato de coçar a orelha ou balançar a cauda), já o SNA inerva a musculatura cardíaca, musculatura lisa e algumas glândulas, as quais não possuem controle voluntário (Ex. Aceleração dos batimentos cardíacos e contração pupilar por estímulo luminoso).
O sistema nervoso simpático do olho é formado basicamente por três grupos de neurônios:
Neurônio de primeira ordem (Pré-ganglionar) – Possui seu corpo celular localizado no hipotálamo e seu prolongamento (axônio) segue pelo troco encefálico e medula cervical (pelo trato tectotgmentoespinhal lateral), estendendo-se até a região toracolombar cranial (T1-T4). Neste ponto realiza sinapse com o neurônio de segunda ordem;
Neurônio de segunda ordem (Pré-ganglionar) – Possui seu corpo celular localizado na substância cinzenta dos segmentos T1-T4 da medula espinhal. Seu axônio deixa a medula espinhal a partir de ramos comunicantes em conjunto com as raízes caudais do plexo braquial. Sem realizar sinapses, este mesmo axônio segue cranialmente pela cadeia simpática (localizada dentro do tórax, ventrolateral a coluna vertebral), ascende o pescoço através do tronco vagossimpático até a região ventromedial da bulha timpânica, onde realiza sinapse com o neurônio de terceira ordem localizado no gânglio cervical cranial.
Neurônio de terceira ordem (Pós-ganglionar) –Possui seu corpo celular dentro do gânglio cervical cranial. Seu axônio segue rostralmente pela fissura tímpanoccipital passando entre a bula timpânica e o osso petroso (orelha média) até unir-se ao ramo oftálmico do nervo trigêmio (V) e finalmente penetrar a órbita através da fissura ocular para inevar quatro estruturas básicas do olho:
1)Músculo dilatador da pupila – Promove midríase (dilatação pupilar) mediante estimulação simpática (Ex. medo) ou perante diminuição ou ausência de estímulo luminoso.
2)Terceira pálpebra – A atividade simpática normal mantém a terceira pálpebra retraída no canto medial do olho.
3)Músculo de Müller – Compreende a musculatura lisa localizada na pálpebra superior.
4)Músculos lisos da órbita – O estimulo simpático mantém o tônus da musculatura lisa periorbital, permitindo posicionamento óptico normal dentro da órbita.
Etiopatogenia e Sinais clínicos
Qualquer lesão ao longo desta via pode interromper a inervação das QUATRO ESTRUTURAS OCULARES já mencionadas e gerar OS QUATRO SINAIS BÁSICOS desta síndrome :
ANISOCORIA (Com miose do olho afetado) – O sistema nervoso simpático inerva o músculo dilatador da pupila em ambos os olhos. Caso alguma estrutura da via simpática seja lesionada, o olho ipsilateral estará em miose (contração pupilar) devido à ação isolada do sistema parassimpático sobre o esfíncter da pupila. Este sinal pode ser melhor avaliado em uma sala escura.
PROTRUSÃO DA TERCEIRA PÁLPEBRA – Para manter a terceira pálpebra em sua posição anatômica (canto medial do olho) a inervação simpática precisa estar intacta, caso seja interrompida, o tônus muscular liso da terceira pálpebra do olho desnervado torna-se diminuído ou ausente, gerando sua protusão. Segundo alguns autores, depois da anisocoria este é o sinal mais comum da SH.
PTOSE PALPEBRAL – A partir do mesmo mecanismo citado anteriormente para a terceira pálpebra, a denervação simpática do olho gera a perda do tônus do músculo de Müller e conseqüente diminuição da fissura palpebral (ptose palpebral).
ENOFTALMIA – Este sinal ocorre devido à atonia da musculatura lisa periorbital secundária à ausência da inervação simpática e conseqüente retração do globo ocular em sua órbita. A enoftalmia é exarcebada pela protrusão da terceira pálpebra nos caninos.
De acordo com a localização neuroanatômica da lesão primária, a síndrome de Horner pode ser classificada como de PRIMEIRA ORDEM, SEGUNDA ORDEM ou TERCEIRA ORDEM:
PRIMEIRA ORDEM – Quando a lesão primária atinge o neurônio pré-ganglionar de primeira ordem como, por exemplo:
HIPOTÁLAMO: Trauma crânio-encefálico – O neurônio de primeira ordem origina-se no hipotálamo e segue pelo tronco encefálico e medula espinhal cervical até a região T1-T4. Sendo assim, pacientes que sofrem trauma crânio-encefálico podem apresentar sinais de SH de primeira ordem ipsilaterais ao lado da lesão.
TRONCO ENCEFÁLICO: Síndrome vestibular central – Cães com síndrome vestibular central podem apresentar SH no olho ipsilateral à inclinação da cabeça, ou seja, o mesmo lado da lesão.
MEDULA ESPINHAL CERVICAL (C1-C5): Doença do disco intervertebral cervical, trauma medular cervical – A lesão medular gerada por trauma ou extrusão do disco intervertebral na região cervical (C1-C5) pode afetar o trato tectotgmentoespinhal unilateralmente gerando SH.
SEGUNDA ORDEM – Quando a lesão primária atinge o neurônio pré-ganglionar de segunda ordem em algum ponto de seu trajeto, por exemplo:
MEDULA ESPINHAL TORÁCICA CRANIAL (T1-T4): Espondilomielopatia cervical caudal, neoplasias – As lesões compressivas da região torácica cranial da medula espinhal (T1-T4) podem atingir a origem do neurônio pré-ganglionar de segunda ordem gerando SH.
PLEXO BRAQUIAL: Avulsão – O axônio do neurônio de segunda ordem projeta-se da medula espinhal em conjunto com as raízes ventrais dos nervos espinhais torácicos craniais. Sendo assim, pacientes com avulsão do plexo braquial podem apresentar SH ipsilateral a avulsão.
CADEIA SIMPÁTICA (MEDIASTINO CRANIAL): Timoma – Neoplasias mediastinais como o timoma podem causar compressão unilateral da cadeia simpática denervando o olho ipsilateral.
TRONCO BRAQUIOCEFÁLICO: Feridas por mordedura; Iatrogênico – Feridas profundas no pescoço, como também a manipulação cirúrgica durante acesso a região cervical ventral podem resultar em lesão do tronco vagossimpático ipsilateral aos sinais de SH.
TERCEIRA ORDEM – Quando a lesão primária atinge o neurônio de terceira ordem (pós-ganglionar), por exemplo:
Síndrome vestibular periférica – Assim como na síndrome vestibular central, animais com síndrome vestibular periférica podem apresentar SH no olho ipsilateral ao desvio de cabeça indicando o lado da lesão.
Neoplasias e pólipos nasofaringeos – Mais comum nos felinos e estão associados com SH do olho ipsilateral a lesão.
Abscessos retrobulbares – A compressão retrobulbar pode lesionar a inervação simpática do olho acometido gerando SH pós-ganglionar.
Diagnóstico e testes farmacológico
Para localizar a lesão primária que desencadeou a SH recomenda-se exame físico completo, exames oftálmico, otoscópico e neurológico, bem como exames complementares, como hemograma, bioquímicos e radiografias cervical, torácica ou das bulhas timpânicas.
Testes farmacológicos com colírios simpatomiméticos de ação direta ou indireta podem ser feitos na tentativa de definir a origem primária da lesão precursora dos sinais de Horner. De uma maneira geral o uso desse método diagnóstico tem pouca aplicabilidade prática já que ele não é completamente confiável e apenas indica se a lesão é pré ou pós-ganglionar. Dessa forma só será detalhada a metodologia do teste farmacológico direto utilizando fenilefrina como agente simpatomimético:
TESTE FARMACOLÓGICO DIRETO
Utiliza-se uma concentração diluída na proporção 1:10 de colírio de fenilefrina 10% (Ex. dilui-se 1mL de fenilefrina10% em 10mL de solução fisiológica estéril em uma seringa). Apenas uma a duas gotas da solução diluída deve ser instilada nos dois olhos. Em um olho sadio essa solução não induz dilatação pupilar. Em um olho que apresenta SH de terceira ordem, ou seja lesão pós-ganglionar, a dilatação pupilar vai ocorrer em até 20 minutos após aplicação. Isto ocorre como resultado da hipersensibilidade a estímulos simpáticos gerada exclusivamente nos casos de lesões pós-ganglionares. Caso não ocorra dilatação pupilar em até 20 minutos a lesão é pré-ganglionar.
Segundo a literatura, aproximadamente metade dos pacientes que apresentam SH a localização primária da lesão não é determinada, sendo esta então classificada como idiopática.
Tratamento
Na maioria dos casos a SH é auto-limitante e dura entre duas a oito semanas. Por esse motivo normalmente não necessita tratamento. Alguns autores indicam o tratamento sintomático da síndrome de Horner para prevenir a atrofia por desuso dos músculos lisos do olho. A terapia pode ser realizado com fenilefrina 10% ou epinefrina 2% a cada seis horas, ou de acordo com a resposta clínica do paciente.
Prognóstico
O prognóstico da síndrome de Horner normalmente depende da causa primária. Por exemplo, pacientes que apresentam SH secundária à otite média de origem infecciosa podem ter prognóstico favorável. Já a SH decorrente de neoplasia tende a apresentar prognóstico reservado a desfavorável.
MENINGIOMA ESPINHAL
11 de dez. de 2007
Resposta - interpretação da mielografia
Existem 3 possibilidades: Lesão extradural, lesão intradural- extramedular (figura ao lado) e lesões intramedulares (ver postagem do dia 05/06/2007).As causas de lesões intra-durais -extramedulares são: cistos aracnóides, meningiomas, tumor da bainha de mielina, sarcomas, linfomas e nefroblastomas. Estes tumores localizam-se abaixo da dura máter mas fora do parênquima medular.
Sugestão de leitura:
http://www.blackwell-synergy.com/doi/full/10.1111/j.1740-8261.2005.00067.x?prevSearch=$%7BresultBean.text%7D
9 de dez. de 2007
RESPOSTA - QUAL O SEU DIAGNÓSTICO DO DIA 04/12
- INFECCIOSO/INFLAMATÓRIO – As doenças infecciosas que afetam a medula espinhal e/ou as meninges normalmente são muitifocais e associadas a sinais sistêmicos como febre, apatia, hiporexia. Outra causa importante é a meningoencefalite granulomatosa
- DEGENERATIVO – Doença do disco intervertebral, porém pouco provável pela idade.
- ANOMALIA/CONGÊNITO – provável. Algumas más formações congênitas como a subluxação atlantoaxial, hemivertebras ou vértebras em bloco, podem acometer a região cervical da coluna vertebral de cães da raça Poodle e apresentar sintomatologia no primeiro ano de vida.
- IMUNOMEDIADA/IDIOPÁTICO
- NEOPLÁSICO - neoplasias da meninges ou medula espinhal - podem afetar cães e gatos de todas as idades
Ver também (apesar de ser sobre doenças de uma raça em específico, explica sobre várias doenças e tem boas imagens): http://www.blackwell-synergy.com/doi/pdf/10.1111/j.1748-5827.2005.tb00319.x
3- Exames indicados:
-hemograma com contagem de plaquetas
- radiografia simples sem anestesia, devido ao risco do paciente apresentar subluxação atlantoaxial e ocorrer piora do quadro.
-análise do LCE para descartar as doenças inflamatórias
- mielografia
-REM/TC
Os exames laboratoriais realizados neste paciente estavam normais (hemograma, plaquetas e líquor).
Na radiografia simples não foram detectados sinais de subluxação atlanto-axial, fraturas ou luxações.
Abaixo está a mielografia realizada - interprete este exame:

4 de dez. de 2007
QUAL O SEU DIAGNÓSTICO?

26 de nov. de 2007
RESPOSTA - QUAL O SEU DIAGNÓSTICO DO DIA 20/11
reflexo do panículo, com respiração abdominal, indicando uma lesão de NMI. Estes sinais são compatíveis com MIELOMALÁCIA ASCENDENTE/ DESCENDENTE, uma necrose isquêmica progressiva no parênquima medular que pode se estender aos segmentos sacrais e cervicais da medula espinhalO material do disco espalha-se em uma área extensa do espaço epidural, envolvendo a dura máter sem causar compressão direta e alguns autores sugerem que a liberação de catecolaminas e outras substâncias causem vasoespasmo progressivo. Na foto ao lado pode-se ver uma medula espinhal em cortes transversais apresentando isquemia decorrente deste quadro.
2) o prognóstico é reservado e recomenda-se eutanásia assim que os sinais clínicos sejam reconhecidos, pois os pacientes morrem em poucos dias em decorrência de paralisia respiratória e asfixia. Em muitos animais ocorre profunda depressão, hiperestesia e sinais de toxemia como vômito, hipotensão e anorexia. No exame neurológico seriado observa-se além da alteração da síndrome medular (de MNS para NMI), que a linha que demarca a transição entre ausência e presença do reflexo do panículo move-se cranialmente. Ocasionalmente a mielomalácia pode ocorrer de forma localizada ou ter sua progressão limitada.
3) esta condição pode afetar até 10% dos cães com DDIV ou outras condições traumáticas que levem à perda da sensibilidade profunda. A maioria dos cães afetados são os que desenvolveram paralisia grau 5 em menos de 12 horas, mas ocasionalmente cães com grau 4 também desenvolvem mielomalácia. Esta desenvolve-se comumente 5 dias após a paralisia inicial (mínimo 1 dia e máximo 10 dias), progredindo gradativamente, assim alguns animais só apresentam os sinais no período pós -operatório caso tenham sido submetidos à cirurgia rapidamente.
20 de nov. de 2007
QUAL O SEU DIAGNÓSTICO?
1) o que está acontecendo com a paciente?
2)Qual o prognóstico?
3) Qual a freqüência deste problema?
16 de nov. de 2007
CONCENTRAÇÃO SÉRICA DE FENOBARBITAL EM CÃES EPILÉPTICOS RECEBENDO ESTE FÁRMACO
Anais do XXIV Congresso Brasileiro da Anclivepa. , 2003. p.40
Foram analisados os dados de 18 cães com diagnóstico de epilepsia idiopática ou criptogênica, subseqüentemente tratados com fenobarbital. Em todos os pacientes realizou-se a mensuração da concentração sérica deste fármaco. A concentração sérica de fenobarbital variou de 12,55 mg/ml a 43,06 mg/ml (média 23,33), sendo que em oito cães (44%) este valor era menor do que 20 mg/ml. Houve grande variação nos valores encontrados, independentemente da dose ministrada, mostrando que este exame deve-se tornar rotina para o clínico, para que o tratamento seja corretamente estabelecido.
O fenobarbital ainda é o medicamento mais utilizado por veterinários para o controle das convulsões em cães, apesar da introdução de novos anti-epilépticos (Sisson, 1997; LeCouter, 1998; Boothe, 1999; Platt, 2003). O fenobarbital é um medicamento barato e 60 a 80 % dos cães podem ter as convulsões controladas eficientemente (LeCouter, 1998), se sua concentração sérica for consistentemente mantida dentro da faixa terapêutica adequada (LeCouter, 1998; Boothe, 1998).
Há divergências sobre a concentração sérica ideal. Originalmente o limite terapêutico estabelecido situava-se entre 15 e 45 mg/ml (Farnbach, 1984, Trepanier, 1999), o que controlava 60% dos cães epilépticos (Platt, 2003). Para Boothe (1998) ela deve ser mantida entre 20 e 45 mg/ml. Já para Podell (2001), o ideal é mantê-la entre 20 e 40 mg/ml, sendo o nível inicial ótimo situado entre 20 e 25mg/ml (Podell, 1999). Estes valores devem ser atingidos imediatamente antes de cada administração subseqüente (Sisson, 1997).
A hepatotoxicidade aparentemente só ocorre se a concentração sérica for mantida acima do limite máximo por períodos prolongados (Boothe, 1998). Assim, há maior eficácia no tratamento se a monitorização sérica for utilizada como um guia para ajustes na dose (Boothe, 1999). Para realização deste exame, a amostra de sangue deve ser coletada pela manhã, em jejum, antes do horário de administração do medicamento (Podell, 1999).
MATERIAIS E MÉTODOS
Foram analisados os dados de 18 cães com diagnósticos de epilepsia idiopática ou criptogênica, apresentando convulsões parciais ou generalizadas, atendidos no Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina e subseqüentemente medicados com fenobarbital. Os pacientes foram submetidos a exame físico, neurológico e a exames complementares como hemograma, perfil bioquímico, glicemia, calcemia, urinálise, sorologia para toxoplasmose, teste de Schirmer e análise de líquor, quando indicado. Seis animais já vinham recebendo anti-convulsivantes: fenobarbital (4 animais), diazepam (1 animal) ou uma associação de difenil-hidantoína sódica e diazepam (1 animal). Após o diagnóstico de epilepsia, os animais foram tratados com fenobarbital a cada 12 horas. Os quatro animais que já recebiam fenobarbital tiveram a freqüência e/ou a dose ajustada. Os animais que recebiam outros anti-convulsivantes passaram a receber fenobarbital e o primeiro anti-convulsivante foi gradativamente retirado. Todos os pacientes foram submetidos à coleta de sangue para monitorização da concentração sérica do fenobarbital após terem recebido a medicação por no mínimo 14 dias. A coleta foi realizada pela manhã, antes do horário de administração do medicamento, e o sangue foi encaminhado para um laboratório humano da cidade.
RESULTADOS
A média de idade dos 18 cães (9 fêmeas e 9 machos) foi 4 anos e 6 meses (1,6 a 12,5 anos). Quanto à raça, constatou-se que haviam cinco animais sem raça definida, quatro poodles, quatro pinschers, dois rottweillers, um pastor alemão, um lhasa apso e um boxer. A dose de fenobarbital utilizada variou de 2,5 a 10 mg/kg (média de 4,1 mg/kg).
O nível sérico encontrado nos 18 animais variou de 12,55 mg/ml a 43,06 mg/ml (média 23,33). Oito cães (44%), apresentaram nível sérico menor do que 20 mg/ml. Nestes cães a concentração sérica mínima encontrada foi de 12,55 mg/ml e a máxima de 18,3 mg/ml (média 16,65 mg/ml). Destes oito cães, sete recebiam fenobarbital na dose de 2,5 a 3,5 mg/Kg, a cada 12 horas e um cão recebia 10 mg/kg a cada 12 horas. Dentre os cães com nível sérico maior do que 20 mg/ml, o menor valor encontrado foi de 21,67 mg/ml, e o maior foi 43,06 mg/ml (média 30,64 mg/ml). Estes cães recebiam fenobarbital na dose de 2,5 a 10 mg/kg a cada 12 horas, sendo que sete pacientes recebiam entre 2,5 e 3,5 mg/kg a cada 12 horas, e três cães entre 6,0 e 10 mg/kg a cada 12 horas. O valor sérico encontrado para o paciente recebendo 10 mg/kg foi 25 mg/ml.
Cinco animais apresentaram efeitos colaterais temporários como poliúria, polidipsia, polifagia e ataxia. Após a avaliação do resultado do exame, realizou-se o ajuste da dose, aumentando-se ou diminuindo-se a dose, procurando manter-se a concentração entre 20 e 30 mg/ml. Em três animais realizou-se nova coleta de sangue para melhor controle da concentração do fármaco. Em três casos foi indicado a ovário-salpingo-histerectomia. Durante o período de observação, todos os animais apresentaram melhora do quadro, com diminuição da freqüência e/ou intensidade das convulsões.
DISCUSSÃO
A mensuração da concentração sérica de fenobarbital mostrou grande variação nos valores encontrados, independentemente da dose ministrada, o que está de acordo com Boothe (1997), Boothe (1998) e LeCouter (1998). Segundo estes autores, a concentração sérica deve ser usada como guia para modificação do tratamento, ao invés do critério clínico, pois há grande variabilidade na distribuição deste fármaco entre os animais. No presente trabalho, a monitorização sérica detectou sub-doses e doses altas, permitindo o ajuste do tratamento quando necessário, diminuindo a incidência de efeitos colaterais. Assim, a monitorização sérica é muito importante para averiguar se o nível sérico está dentro do intervalo adequado, determinar resistência ao fármaco, individualizar a terapia e prevenir hepatotoxicidade (Podell, 1999; Trepanier, 1999).
CONCLUSÃO
O exame para verificar a concentração sérica de fenobarbital deve tornar-se rotina para o clínico, para que o tratamento seja corretamente estabelecido e bem sucedido. Este procedimento leva ao melhor controle das convulsões, diminui a incidência de efeitos colaterais e reduz a atitude muitas vezes precoce de substituição ou combinação de fármacos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BOOTHE, D.M. Anticonvulsant therapy in small animals. Veterinary Clinics of North América: Small Animal Practice. v.28, nº2, p. 411-448,1998.
BOOTHE, D.M. Anticonvulsant clinical pharmacology: improving management of refractory seizures. Proceedings of American College of Veterinary Internal Medicine, Chicago, p.319-321, 1999.
FARNBACH, G.C. Serum phenobarbital concentrations and efficacy of phenytoin, phenobarbital and primidone in canine epilepsy. Journal of the American Veterinary Medical Association, v.184, p.117-120.
LECOUTEUR, R.A. Convulsiones. Anales del XXIII Congresso de la Associacion Mundial de Medicina Veterinária de Pequeños Animales, p. 445-449, 1998.
PLATT, S.R. Appropriate anticonvulsant use. Proceedings of The North American Veterinary conference, p.611-3, 2003.
PODELL, M. Seizure management in dogs. In: Bonagura, J. Kirk’s Current Veterinary Therapy XIII: Small Animal Practice. Philadelphia,Saunders, p.959-63, 1999.
PODELL, M. Strategies of antiepileptic drug therapy. Proceedings of the of American College of Veterinary Internal Medicine, Denver, p.430-2, 2001.
SISSON, A. Current experiences with anticonvulsants in dogs and cats. Proceeding of the American College of Veterinary Internal Medicine. Lake Buena Vista, p.596-598, 1997.
TREPANIER, L.A. Using phenobarbital wisely. Proceeding of the American College of Veterinary Internal Medicine, Chicago, p.268-270, 1999.
12 de nov. de 2007
ESTUDO RETROSPECTIVO DE CÃES COM POLINEUROPATIA MOTORA. RELATO DE 33 CASOS (2002-2005)

-Anais do XXVII Congresso Brasileiro da Anclivepa. 2006. p.77 – 77. Trabalho apresentado na forma de pôster
-5o Congesso Paulista de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais, 2005, São Paulo. Anais do 5o COMPAVEPA. São Paulo: Anclivepa, 2005. p.178 - 178
O objetivo deste trabalho foi análisar os sinais neurológicos, a etiologia e a recuperação de 33 cães com tetraparesia flácida atendidas no período de março de 2002 a março de 2005 no Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina (HV-UEL). A amostra foi composta por cães das seguintes raças: 54,5% de animais sem raça definida, 12,2% Poodle, 9,1% Pastor Alemão 6,1% São Bernardo, 3% de cada uma das raças a seguir: Boxer, Rottweiler, Fila Brasileiro, Teckel, Australian Cattle dog e Husky Siberiano, com idade média de 3,5 anos, sendo 63,6% machos e 36,4% fêmeas. Durante a anamnese pôde-se verificar que 45,4% viviam em propriedade rural e 18,2% em propriedade urbana com piso de terra e/ou grama, 36,4% dos animais tinham acesso à rua, 33,3% possuíam contato com lixo e/ou carniça, 15,1% tinham contato com ossos e 12,2% comiam carne crua. No exame físico inicial, 60,6% dos animais apresentavam tetraparesia flácida, 12,2% paraparesia e 9% ataxia dos membros posteriores que evoluíram para tetraparesia flácida, sendo que todos os cães conseguiam movimentar a cauda. Através dos exames radiográficos simples foram detectados quatro cães com megaesôfago e quatro cães com broncopneumonia. No intuito de se chegar a um diagnóstico, foi realizada sorologia para toxoplasmose em seis animais, sendo um cão positivo, inoculação de soro de três cães em camundongos (um apresentou resultado positivo para botulismo) e glicemia (um cão com hipoglicemia).
1) a maioria dos casos de polineuropatia motora provavelmente era decorrente de botulismo, pois provinham de área rural e/ou tinham livre acesso à rua e/ou tinham contato com lixo/carniça.
2) O manejo adotado auxiliou na recuperação de 84,8% dos casos.
3) todos os cães com quadro clínico semelhante devem ser submetidos à no mínimo exame neurológico completo, hemograma, sorologia para toxoplasmose, dosagem de glicemia e radiografias torácicas.
4) Outras causas de polineuropatia motora e fraqueza muscular também devem ser consideradas no diagnóstico diferencial, para que haja maior sucesso na conduta de casos semelhantes.
9 de nov. de 2007
MIELOGRAFIA EM 50 CÃES COM ALTERAÇÕES NEUROLÓGICAS - ESTUDO RETROSPECTIVO
-Anais do 5o COMPAVEPA. São Paulo: ANCLIVEPA, 2005. p.159 - 159
BAHR ARIAS, M.V.; GONZALEZ, J.M.; ZARI, A.C.; CASEMIRO, F.; MARGALHO, F.N. ; AIELLO, G .
8 de nov. de 2007
RESPOSTA - QUAL O SEU DIAGNÓSTICO DO DIA 30/10
30 de out. de 2007
QUAL O SEU DIAGNÓSTICO?
Este cão Teckel de 1 ano e meio foi trazido por apresentar os sinais neurológicos mostrados no vídeo, de início súbito. Além disso apresentava diminuição das reações posturais do lado esquerdo, estrabismo em globo ocular esquerdo e nistagmo vertical. 18 de out. de 2007
TETRAPARESIA - LOCALIZAÇÃO DA LESÃO
Tetraparesia é a incapacidade parcial de realizar movimentos voluntários com todos os membros, enquanto que tetraplegia é a incapacidade total de realizá-los.Na tetraparesia pode haver fraqueza leve (animal caminha), moderada ou grave (não caminha, decúbito, porém consegue movimentar um pouco os membros).
Tetraparesia pode ser causada por lesões no Sistema Nervoso Central (tronco encefálico e medula espinhal cervical ou cervicotorácica) ou Periférico (junção neuromuscular, nervos espinhais, raízes nervosas e músculos). Algumas lesões no sistema nervoso central podem ser assimétricas e o animal pode apresentar hemiparesia/plegia ao invés de tetraparesia. Em muitas doenças do Sistema Nervoso Periférico, os cães mantém a capacidade de abanar a cauda normalmente.
É importante lembrar que em algumas lesões do tronco encefálico o paciente pode apresentar alteração no nível de consciência ou sonolência, enquanto que nas lesões da medula espinhal ou SNP o animal está consciente. É importante também diferenciar se a tetaparesia teve início agudo ou crônico, pois as causas costumam ser diferentes. No vídeo abaixo pode-se observar a diferença entre um caso de tetraplegia espástica causada por doença de disco cervical e outro caso de tetraplegia flácida causada por botulismo.
5 de out. de 2007
RESPOSTA - QUAL O SEU DIAGNÓSTICO - DO DIA 25/09
–2. ataxia, diminuição da propriocepção
–3. paraplegia
–4. paraplegia com retenção ou incontinência urinária
–5. idem 4 e perda da sensibilidade profunda
Para os graus 3 e 4 o resultado do tratamento cirúrgico é bom
No grau 5, para o tratamento cirúrgico realizado até 48 horas após o início dos sintomas há 50 % chance de retorno à deambulação
A ordem de recuperação esperada é:
- inicialmente o retorno da sensibilidade superficial e do controle da micção, seguido da movimentação dos membros posteriores e por último o retorno da propriocepção. O tempo estimado para ocorrer a recuperação total pode variar de uma semana a dois meses, podendo o animal ficar atáxico, mas com controle da micção.
No filme abaixo pode-se ver o primeiro retorno, no qual o animal não tem propriocepção, seguido das avaliações posteriores, quando o animal caminha, porém com ataxia.
25 de set. de 2007
QUAL A SUA CONDUTA?
1) Quais as opções de tratamento?
2) qual o tratamento mais indicado?
3) qual o prognóstico para recuperação do paciente, qual a ordem para esta ocorrer (seqüência de retorno às funções) e o tempo estimado para isso?
Resposta - qual o seu diagnóstico do dia 19/09
19 de set. de 2007
Qual o seu diagnóstico?
1) Qual a localização da lesão (síndrome)?
2) Qual a lista de diagnósticos diferenciais e a suspeita principal?
c) Quais os exames indicados para confirmar ou excluir suas suspeitas?
17 de set. de 2007
Resposta do caso do dia 10/09
A localização deste estreitamento e os sinais neurológicos não são compatíveis, pois nas lesões entre C3-C4, o segmento medular acometido é o 4-5, e o sinal de raiz apresentado pelo animal é mais comum nas lesões que acometem a intumescência cervical e o plexo braquial (C6-T2).
Já na mielografia observa-se o deslocamento da coluna de contraste sobre C6-C7 , compatível com lesão extradural, e uma massa radiopaca neste local, possivelmente uma extrusão de disco. Neste caso o quadro neurológico e localização neuroanatômica são compatíveis com a imagem radiográfica.
B e C) Para facilitar a escolha do tratamento, alguns autores sugerem a classificam a DDIV cervical em 3 graus :
- o animal apresenta apenas dor cervical: os pacientes com primeiro episódio de dor cervical podem ser tratados clinicamente com antiinflamatório, relaxantes musculares e repouso absoluto em canil pequeno por aproximadamente 6 semanas. Cães tratados dessa maneira apresentam um período longo de recuperação e até 36% de chance de recidiva dos sinais clínicos. Caso o paciente não responda ao tratamento conservador, ou o quadro piore durante o tratamento clinico, a cirurgia descompressiva (Ex. Slot ventral) é a indicação. O paciente em questão foi tratado com tratamento conservador e apresentou melhora do quadro.
- o paciente além de dor apresenta ataxia nos quatro membros
- terceiro grau - paciente apresenta tetraparesia.
As opções de cirurgia descompressivas da região cervical são o Slot ou fenda ventral, a laminectomia e hemilaminectomia, estas últimas são realizadas por uma abordagem dorsal ou dorsolateral. Caso o paciente não melhorasse, a hemilaminectomia seria o mais indicado, devido ao sinal de raiz, para a retirada do material presente no forame intervertebral. A cirurgia descompressiva da região cervical é mais trabalhosa e sujeita a complicações, porém permite remoção do material do interior do canal vertebral, principalmente em cães com alterações neurológicas severas, dor e presença de compressão diagnosticada na mielografia, permitindo recuperação rápida na maioria dos casos.
Mais recentemente alguns autores tem visto a ocorrência de um grau mais avançado de DDIV cervical, com a ocorrência de tetraplegia, nos quais o animal pode apresentar dificuldade respiratória e cujo prognóstico é reservado
10 de set. de 2007
QUAL O SEU DIAGNÓSTICO?
Estas são as radiografias simples e a mielografia da região cervical do caso do Cocker do dia 05/09.
1) Interprete as radiografias
b) Quais as opções de tratamento?
c) qual o prognóstico, dependendo de cada tipo de tratamento?
Qual o seu diagnóstico - resposta do caso do dia 05/09
5 de set. de 2007
Qual o seu diagnóstico?
Este cão Cocker Spaniel de 5 anos apresenta dor cervical há uma semana (não eleva a cabeça, às vezes grita de dor) e também claudica com o membro torácico esquerdo, não apoiando o mesmo em alguns momentos. No exame clínico você observa dor cervical intensa, que o animal não movimenta o pescoço e sim os olhos (característico em alguns casos de dor cervical) e déficit de propriocepção de membro torácico esquerdo.
1) Quais os diagnósticos diferenciais?
2) Como confirmar as suspeitas?
3 de set. de 2007
Resposta qual o seu diagnóstico do dia 30/08
1) Descreva as anormalidades encontradas:
Podem ser identificadas proliferações ósseas (osteofitos) ventrais aoo corpo das vertebras L1, L2, L3, L4, L5, L6 e L7, sendo que entre as vertebras L1-L2, L2-L3 e L6-L7 estas projeções se fundem formando pontes ósseas, caracterizando-se uma doença degenerativa conhecida como espodilose deformante.
2) considerando os achados do exame neurológico, a raça e a idade, qual o significado das alterações radiográficas?
Não há relação clínica entre os achados radiográficos e a apresentação clínica do paciente. O paciente apresenta uma síndrome toracolombar e as alterações radiográficas são identificadas em toda a coluna lombar, assim, os sinais neurológicos não são compatíveis com os sinais radiográficos. Apesar de Gwendolyn e colaboradores afirmarem em estudo publicado recentemente que PODE existir relação entre DDIV do tipo II e espondilose deformante, o animal em questão além de não apresenta outros sinais radiográficos sugestivos dessa doença (como diminuição do espaço intervertebral), e não demonstra dor durante a palpação da coluna toracolombar, sugerindo que a DDIV não é a causa dos sinais neurológicos presentes.
3)Que exames são necessários para investigar as causas potenciais destes sintomas?
É necessário descartar outras causas de compressão da medula espinhal, realizando mielografia (disponível em vários centros), ou tomografia computadorizada ou ressonância magnética da região toracolombar. Também é preciso descartar causas inflamatórias e infecciosas a partir da análise do LCE (líquor).
4)Qual a sua suspeita principal?
Á mielopatia degenerativa, pois o paciente possui resenha clinica, histórico e exame neurológico compatíveis com esta doença. O diagnóstico ante-morte é feito por exclusão de outras causas de doenças crônicas progressivas que afetam a medula espinhal. É comum Raças grandes e principalmente o Pastor Alemão apresentarem várias doenças ortopédicas e neurológicas concomitantemente, como displasia coxofemoral, espondilose deformante, síndrome da cauda equina ou doença de disco tipo II , dificultando o diagnóstico definitivo de mielopatia. Na análise do LCR de cães com mielopatia pode ser encontrado aumento da concentração de proteínas sem aumento da contagem de células. A mielografia pode estar normal ou apresentar imagens compatíveis com doença de disco. A confirmação definitiva de mielopatia degenerativa, contudo, é realizada por meio do exame histopatológico.
LEITURA SUGERIDA
J Vet Intern Med. 2006 Jul-Aug;20(4):927-32.Daily controlled physiotherapy increases survival time in dogs with suspected degenerative myelopathy.Kathmann I, Cizinauskas S, Doherr MG, Steffen F, Jaggy A.


