4 de dez de 2007

QUAL O SEU DIAGNÓSTICO?


Este cão Poodle, macho, de um ano de idade foi trazido para consulta por apresentar dor cervical há um mês, progressiva e dificuldade para locomoção que se iniciou há uma semana. Não há história de trauma, as vacinas estão atualizadas, e o paciente come bem. Não apresentou êmese, diarréia, secreção ocular ou qualquer outra alteração. Já foi tratado com antiinflamatórios não esteroidais sem melhora. Ao exame clínico não há febre ou outras alterações sistêmicas. No exame neurológico constata-se dor cervical intensa e leve ataxia dos quatro membros. Os reflexos espinhais estão aumentados em todos os membros e não há alteração em consciência ou em nervos cranianos.

1) Qual a localização da lesão?

2) Quais as suspeitas?

3) quais os exames indicados par confirmar ou descartar suas suspeitas?

2 comentários:

  1. 1) Trata-se de uma síndrome cervical, com localização em região Cervical (C1-C5), devido ataxia dos quatro membros, dor cervical intensa, reflexos espinhais aumentados em todos os membros e sem alterações em nervos cranianos e consciência.

    2) De acordo com a resenha, anamnese, exame físico e neurológico, trata-se de uma afecção de caráter agudo e dolorosa. Em ordem e por se tratar de um animal jovem, as suspeitas podem assim ser investigadas:
    - Subluxação atlanto axial;
    - Má formação occito atlanto axial, Luxação atlanto occipital;
    Devido não apresentar febre e anorexia, as suspeitas inflamatórias/infecciosas como meningite e discoespondilite ficam como últimas suspeitas, além da doença do DDIV.

    3) O exame indicado para confirmar a subluxação atlanto axial é o Radiográfico simples, sem anestesia, com projeção latero lateral da coluna cervical, demonstrando o corpo do áxis deslocado dorsal e cranialmente em direção ao canal vertebral. Lembrando sempre do cuidado ao se flexionar a região cervical durante o exame, que, se excessiva, pode resultar em compressão medular, paralisia respiratória e óbito.
    O exame radiográfico, além de confirmar / descartar a subluxação AA, também é utilizada para a suspeita de má formação occipito AA / Luxação atlanto occipital.
    Já para as causas infecciosas/inflamatórias, o hemograma completo e análise do LCR são indispensáveis para o diagnóstico, além da urinálise, bioquímicos séricos e sorologia.

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  2. Felipe Purcell de Araújo - Residente DCV-UEL8 de dezembro de 2007 16:12

    1- Trata-se de uma síndrome cervical (C1-C5), pois apresenta sinais de neurônio motor superior nos 4 membros, dor cervical, além de não apresentar alteração de consciência nem de nervos cranianos.

    2- DEGENERATIVO – Pouco provável. Porém, apesar de ser uma doença mais comum em animais de faixa etária mais avançada (3 a 6 anos), a DDIV cervical do tipo I pode cursar apenas com dor cervical e déficits neurológicos leves, além de ocorrer em animais mais jovens.

    INFECCIOSO/INFLAMTÓRIO – Pouco provável. As doenças infecciosas que afetam a medula espinhal e/ou as meninges normalmente são muitifocais e associadas a sinais sistêmicos como febre, apatia, hiporexia. O único sinal deste paciente compatível com meningite é a dor cervical intensa. As doenças inflamatórias normalmente possuem sinais multifocais (Ex. Tronco encefálico + cervical), porém, mais uma vez a dor cervical é compatível com as meningites inflamatórias como a meningitearterite responsiva a corticoides, que é uma doença típica de raças grande com menos de 2 anos, mas pode ocorrer em outras raças.

    NUTRICIONAL – Improvável.

    ANOMALIA/CONGÊNITO – Bem provável. Algumas más formações congênitas como a subluxação atlantoaxial, hemivertebras ou vértebras em bloco, podem acometer a região cervical da coluna vertebral de cães da raça Poodle e apresentar sintomatologia no primeiro ano de vida.

    METABOLICO – Improvável.

    IMUNOMEDIADA/IDIOPÁTICO – Pouco provável. Algumas poliartrites imunomediadas podem causar inflamação das articulaçãoes sinoviais vertebrais, porém o paciente normalmente reluta em caminhar por dor nas demais articulações como carpos, tarsos, joelhos, cotovelos, ombros e coxofemorais, o que não foi evidenciado neste paciente.

    TUMOR, TRAUMÁTICO – Pouco provável. As neoplasias de uma forma geral acometem animais mais velhos e as que atingem a medula espinhal e/ou as meninges normalmente apresentam-se de forma mais cônica e assimétrica com poucas exceções (como o hemangiossarcoma que atinge também órgãos hematopoéiticos gerando sinais hematológicos e sistêmicos). O trauma tem característica aguda não progressiva e tendem a melhorar com uso de antinflamatórios não esteróides e repouso, além disso, neste caso não está relatado na anamnese algum trauma.

    ENDOTELIAL,VASCULAR – Improvável.

    3 – Mesmo sem apresentar sinais sistêmicos eu indicaria hemograma com contagem de plaquetas; A radiografia simples sem anestesia, devido ao risco do paciente apresentar subluxação atlantoaxial e piorar o quadro, visto que o relaxamento muscular pode reduzir a estabilidade desta articulação com deslocamento dorsal do processo odontóide do axis e compressão severa da medula cervical rostral. Caso não fosse confirmada a subluxação nem visualizada nenhuma alteração anatômica (Ex. hemivertebra, vértebras em bloco) seria necessário à análise do LCE para descartar as doenças inflamatórias (como a meningitearterite responsiva a corticóides). A mielografia só seria indicada se o LCE não apresentasse alteração e o animal piorasse passando do grau I para um grau II ou III da síndrome cervical, o que seria útil para confirmar uma possível causa compressiva.

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