29 de abr. de 2013
Clinical and Pathological Findings of Necrotizing Meningoencephalitis in a Maltese Dog
21 de abr. de 2013
Aspectos epidemiológicos, clínicos e anatomopatológicos da infecção por Gurltia paralysans em gatos
Pesq. Vet. Bras. 33(3):363-371, março 2013
http://www.pvb.com.br/pdf_artigos/13-04-2013_17-08Vet%201395_3097%20PA.pdf
Monique Togni, Welden Panziera, Tatiana M. Souza, José C. Oliveira Filho, lexandre Mazzanti, Claudio S.L. Barros e Rafael A. Fighera
27 de mar. de 2013
Mielomalácia hemorrágica progressiva em 14 cães
15 de mar. de 2013
Diagnóstico clínico e radiográfico de luxação traumática da articulação atlanto-occipital em dois cães
RESUMO
Atlanto-occipital luxation is considered rare in both humans and animals. Lateral radiographs are recommended for diagnosis, however, errors may occur related to the angle of radiation, image target, distance and overlapping of bone. Our objective is to report the clinical and radiographic findings in two dogs with traumatic atlanto-occipital luxation, which had tetraparesis, cranial neck pain, and inability to raise the head and cranial nerve deficits. The first animal had a cranio-dorsal dislocation of the articular process of the atlas in relation to one of the occipital condoles, with no overlapping of the transverse foramens or overlapping of the occipital condile in relation to the articular process of the atlas, on the right side, which characterizes a unilateral luxation. The second animal presented with a cranio-caudal dislocation of the articular processes of the atlas regarding the occipital condoles, with overlapping of the transverse foramens and inability to visualize the occipital condoles due to the cranial advancement of the articular processes of the atlas towards the skull, which characterizes a bilateral luxation. We conclude that a simple radiographic exam, in lateral and ventrodorsal projections, though difficult to interpret, is efficient in confirming a diagnosis of traumatic atlanto-occipital luxation, both symmetric and asymmetric.
14 de fev. de 2013
Porencephaly and cortical dysplasia as cause of seizures in a dog
BMC Veterinary Research 2012, 8:246
Gisele Fabrino Machado,
Abstract
Background: Seizures are a common problem in small animal neurology and it may be related to underlying
diseases. Porencephaly is an extremely rare disorder, and in Veterinary Medicine it affects more often ruminants,with only few reports in dogs.
Case presentation: A one-year-old intact male Shih-Tzu dog was referred to Veterinary University Hospital with history of abnormal gait and generalized tonic-clonic seizures. Signs included hypermetria, abnormal nystagmus and increased myotatic reflexes. At necropsy, during the brain analysis, a cleft was observed in the left parietal and occipital lobes, creating a communication between the subarachnoid space and the left lateral ventricle, consistent with porencephaly; and also a focal atrophy of the caudal paravermal and vermal portions of the cerebellum. Furthermore, the histological examination showed cortical and cerebellar neuronal dysplasia.
Conclusions: Reports of seizures due to porencephaly are rare in dogs. In this case, the dog presented a group of brain abnormalities which per se or in assemblage could result in seizure manifestation.
Keywords: Brain, Canine, Central nervous system diseases, Cerebellum, Hippocampus, Neuropathology
http://www.biomedcentral.com/content/pdf/1746-6148-8-246.pdf
11 de fev. de 2013
Transcranial Doppler sonographic findings in granulomatous meningoencephalitis in small breed dogs
Can Vet J 2012;53:855–859
Abstract — Granulomatous meningoencephalitis (GME) is an acute, progressive, and often fatal inflammatory disease of the central nervous system, affecting mainly small and toy dog breeds. A definitive diagnosis of GME can only be achieved through histopathologic examination of samples collected after death. This retrospective study describes transcranial Doppler ultrasonography (TDS) findings in dogs with confirmed clinical histopathology of GME. Eleven dogs were selected for this study. Sonographic findings in B-mode demonstrated diffuse decreased brain parenchyma echogenicity in 9 dogs, ventriculomegaly in 8 dogs, brain atrophy in 4 dogs, and hyperechoic focal lesions in 6 dogs. Color Doppler imaging revealed more obvious vessels of the arterial circle in 10 dogs. Spectral Doppler examination was performed in 10 dogs to detect the 6 major cerebral arteries of interest. The examination showed normal and high resistive index (RI) values in the outlined arteries. The TDS findings were consistent with pathology found on postmortem examination
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3398522/pdf/cvj_08_855.pdf
27 de dez. de 2012
Traumatismo da medula espinhal em cães e gatos: estudo prospectivo de 57 casos
http://www.pvb.com.br/pdf_artigos/26-12-2012_13-07Vet%201231_2488%20PA.pdf
Autores: Daniela Scapini Mendes e Mônica Vicky Bahr Arias
5 de dez. de 2012
Clinical syndromes of nervous distemper in dogs initially presented without conventional evidences of CDV infection
Autores: Alexandre Mendes Amude, Amauri Alcindo Alfieri, Mônica Vicky Bahr Arias, Alice Fernandes Alfieri
Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 33, n. 6, p. 2347-2358, nov./dez. 2012
Avaliação de um kit de imunoensaio cromatográfico para detecção do antígeno do vírus da cinomose em cães com sinais sistêmicos ou neurológicos da doença
Autores: Murilo Cézar Curti, Mônica Vicky Bahr Arias, Marcelo de Souza Zanutto
Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 33, n. 6, p. 2383-2390, nov./dez. 2012
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/semagrarias/article/view/9624/11699
29 de nov. de 2012
31 de out. de 2012
Aspectos epidemiológicos e manifestações neuropatológicas associadas à infecção pelo vírus da cinomose canina no Brasil: uma revisão
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/semagrarias/article/view/10774/11576
11 de out. de 2012
Sinais neurológicos associados a pacientes caninos com linfoma
Rev. Med. Vet. N.º 23 2012 p. 33-37
13 de set. de 2012
Afecções neurológicas e abordagens cirúrgicas na coluna vertebral, medula espinhal e raízes nervosas da transição cervicotorácica em cães e gatos
Revista Clínica Veterinária, Ano XVII, N. 100, p. 80-96, 2012
Autores: Murilo Cézar Curti, Mônica Vicky Bahr Arias; DCV/UEL
Resumo: As vértebras cervicais caudais e torácicas craniais, bem como a medula espinhal cervicotorácica e as raízes nervosas do plexo braquial de cães e gatos, estão sujeitas a diversas enfermidades. Em muitos casos é necessária a realização de procedimentos cirúrgicos com o objetivo de diagnosticar ou tratar essas alterações, como, por exemplo, biópsia, cirurgia descompressiva ou estabilização das vértebras acometidas. Entretanto, como esse segmento é afetado por doenças com menos frequência do que as regiões cervical, toracolombar e lombossacral, a literatura é restrita quanto à descrição das técnicas cirúrgicas de acesso a essa região. O objetivo deste trabalho é realizar uma revisão da anatomia da transição cervicotorácica e das principais doenças que podem acometer essas estruturas em cães e gatos, e descrever as abordagens cirúrgicas que permitam acesso às vértebras, à medula e ao plexo braquial do cão.Unitermos: vértebras cervicais, vértebras torácicas, neurocirurgia
ABSTRACT: The cranial thoracic and caudal cervical vertebras as well as the cervicothoracic spinal and nervous roots from the brachial plexus of cat and dogs are subjected to several diseases. In many cases, surgical procedures such as biopsy descompressive surgery or stabilization of the affected vertebras are necessary in order to diagnose or treat such changes. Nervertheless, since this segment is less frequently affected by diseases than the cervical, thoracolumbar and lumbosacral areas, the literature is quite limited concerning the description of surgical techniques to access this particular area. The objective of this paper is to review the main diseases that might affecte dogs and cats and the description of surgical approaches that allow acess to the vertebras, spinal cord and brachial plexus in the dog. KEYWORDS:cervical vertebrae; thoracic vertebrae, neurosurgery.
5 de set. de 2012
Intoxicação por metronidazol em cão – relato de caso
O metronidazol é um antibiótico nitronidazólico usado na medicina veterinária para o tratamento de uma variedade de doenças. A causa da neurotoxicidade pelo metronidazol ainda não foi determinada. Relata-se o caso de um cão, fêmea, da raça Teckel, de cinco anos de idade, com histórico de dorsoflexão da cauda, ataxia, rigidez de musculatura, decúbito, nistagmo vertical, apatia e anorexia, que estava sendo medicada há sete dias com metronidazol em dose maior que a máxima recomendada, sendo que os sinais neurológicos iniciaram-se após esse período. As alterações neurológicas foram compatíveis com disfunção vestibular central causada pelo metronidazol, tais como ataxia e nistagmo vertical. Além das alterações neurológicas, o quadro de anorexia e apatia é condizente com a administração de doses excessivas do fármaco. O diagnóstico da intoxicação por metronidazol é baseado na história de administração de doses normais a aumentadas, nos sinais clínicos e na resolução destes após a suspensão da droga. Geralmente, o prognóstico é favorável após a suspensão do medicamento e com o diagnóstico precoce. Alguns cães podem morrer e outros podem se recuperar completamente. O cão apresentou resolução completa do quadro de neurotoxicose após a suspensão da terapia e o tratamento de suporte. Os médicos veterinários devem estar alertas sobre as complicações potenciais associadas ao uso deste medicamento, bem como limitar seu uso crônico ou em altas doses para os casos mais graves, e diagnosticar o problema o mais rápido possível para instituir o tratamento precocemente.
Abstract
Metronidazole is a nitronidazolic antibiotic used in veterinary medicine to the treatment of a variety of diseases. The cause of metronidazole neurotoxicity has not been determined. We report the case of a dog, female, Teckel, five-year-old, with a history of dorsiflexion of the tail, ataxia, muscle stiffness, recumbency, vertical nystagmus, apathy and anorexia, which was being medicated for seven days with metronidazole in a dose higher than the maximum recommended, and the neurological signs began after this period. Neurological signs were consistent with central vestibular dysfunction caused by metronidazole, such as ataxia and vertical nystagmus. In addition to the neurological changes, the clinical signs of anorexia and apathy are consistent with the administration of excessive doses of the medicine. The diagnosis of metronidazole-induced toxicosis is based on the history of normal to increased doses, clinical signs and resolution after discontinuation of the drug. In general, the prognosis is good after drug withdrawal and early diagnosis. Some dogs may die and others may recover completely. The neurotoxicosis has disappeared after the suspension of the medicine and supportive treatment. Veterinarians must be aware of potential complications associated with the use of this medicine, as well as limit their chronic use or high doses for the most severe cases, and diagnose the problem as quickly as possible to institute an early treatment.
30 de jun. de 2012
DISCOESPONDILITE EM CÃES
É a infecção do disco intervertebral e das placas vertebrais terminais dos corpos vertebrais adjacentes. Comumente causada por bactérias e ocasionalmente fungos.
Etiologia: As bactérias se dirigem às vértebras usualmente pela via hematógena, com origem de outras partes do corpo, principalmente vindas do trato urinário, pele, cavidade oral e endocárdio.
Diagnóstico: pela história e sinais clínicos: cães de raças grandes são mais comumente afetados. É raro em gatos, mas pode ocorrer osteomielite vertebral, sem acometimento dos discos, decorrente de ferimentos externos.
Sinais clínicos: depressão, anorexia, febre, a dor intensa é o primeiro sinal. Pode haver emagrecimento progressivo. Dependendo da vértebra afetada pode haver rigidez, tetraparesia ou paresia, paraplegia em casos mais graves ou que tenham sido inadvertidamente tratados com corticóides!!!! No exame clínico procurar sinais clínicos como sopro, pois endocardite pode ser a fonte da infecção. Nos exames laboratoriais pode ocorrer no Hemograma: leucocitose e neutrofilia, a urinálise pode detectar foco de infecção (cistite)
No exame radiográfico realizado até 3 semanas após início dos sinais as radiografias podem estar normais. Os sinais radiológicos são: osteólise e proliferação, esclerose vertebral, encurtamento dos corpos vertebrais, espaço do disco diminuído e mais de um disco pode ser acometido, ou seja, procurar em toda a coluna. os locais mais comuns são L7-S1, T13-L1, L1-L2, C6-C7
Fazer também hemocultura e urocultura e caso o animal tenha sido usado para reprodução uma outra bactéria importante é a Brucelose
TRATAMENTO: envolve a antibioticoterapia agressiva e prolongada baseada nos organismos mais comumente envolvidos ou no resultado das culturas. As cefalosporinas são os antibióticos mais indicados. Ocorre melhora inicial em 48 horas. Se isso não ocorrer, rever o antibiótico. Outras opções são a amicacina, clindamicina e enrofloxacina. É importante manter o paciente em repouso absoluto para evitar fraturas patológicas e caso não haja melhora coletar material para cultura, inclusive fúngica, por cirurgia para então entrar com a medicação mais adequada. Se houve resposta adequada, realizar controle radiográfico a cada 4-6 semanas. O prognóstico é bom para cães com alterações leves e que caminhem, mas deve ser feito descompressão e estabilização nos casos severos com instabilidade vertebral. No caso de Brucella canis, lembrar que é uma zoonose, e o animal deve ser castrado para não ser reservatório da infecção e neste caso o antibiótico indicado é tetraciclina + aminoglicosídeos
Links:
http://rottweilerhealth.org/pdfs/sept_disko_betbeze_02.pdf
http://www.dcvets.org/surgical/Discospondylitis.pdf
22 de jun. de 2012
Acompanhamento dos casos de epilepsia canina atendidos no Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina
Josefa Gomes de Lima – Bolsista de Iniciação Científica UEL, UEL
Mônica Vicky Bahr Arias – Profa Associada do DCV, UEL
Resumo: O objetivo deste trabalho foi o acompanhamento de 25 cães com epilepsia idiopática ou sintomática, atendidos no Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina entre outubro de 2008 e agosto de 2010. Os animais foram submetidos a exame clínico e neurológico periodicamente, e à coleta de sangue para exames laboratoriais e dosagem sérica dos antiepilépticos utilizados. Quando necessário, procedeu-se ao ajuste das doses dos mesmos. Os proprietários foram ainda orientados sobre o distúrbio, tratamento e possíveis efeitos colaterais dos antiepilépticos utilizados. Este trabalho permitiu avaliar a epidemiologia, resultados do tratamento, efeitos colaterais e motivos de falha terapêutica.
Abstract: The objective of this study was the monitoring of dogs with idiopathic or symptomatic epilepsy, treated at the Veterinary Hospital of Universidade Estadual de Londrina, from October 2008 to August 2010. These animals were subjected to clinical and neurological examination periodically, and to blood sampling for laboratory tests and for measurement of serum levels of antiepileptic used. When necessary, we adjusted the doses of antiepileptics drugs. The owners were also informed about the disturb, treatment and possible side effects of antiepileptic drugs used. This work allowed us to evaluate the epidemiology, treatment outcomes, side effects and reasons for treatment failure.
Introdução: Epilepsia é um distúrbio cerebral crônico, caracterizado por crises epilépticas recidivantes (1,2), sendo que entre os episódios o animal apresenta-se consciente (2). A epilepsia pode ser classificada como idiopática, sintomática, e provavelmente sintomática (2). Na epilepsia sintomática existe um processo patológico de base, enquanto que na epilepsia provavelmente sintomática este processo também existe, mas não é possível o seu diagnóstico (2). O clínico de pequenos animais constantemente enfrenta diversos problemas no tratamento da epilepsia em cães, pois poucos antiepilépticos são eficazes nesta espécie (3). Deve haver constância na administração dos medicamentos, o que requer grande dedicação do proprietário, havendo necessidade de reavaliações periódicas do paciente para controle do nível sérico dos antiepilépticos administrados, realização dos ajustes da dose quando necessário e detecção de possíveis efeitos colaterais (3,4). Assim, este trabalho teve como objetivo o acompanhamento de cães com epilepsia idiopática ou sintomática atendidos na rotina do Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), com o propósito de avaliar dados epidemiológicos, resultados dos tratamentos, efeitos colaterais e motivos de falha terapêutica.
Material e Métodos: No período de outubro de
A classificação da epilepsia foi realizada de acordo com a idade de aparecimento da primeira crise, raça, descrição da crise epiléptica, e resultados dos exames laboratoriais. Assim, o termo epilepsia idiopática foi utilizado quando nenhuma etiologia foi identificada, uma predisposição familiar foi presumida e a primeira crise ocorreu antes dos cinco anos de idade, enquanto que o termo epilepsia sintomática foi utilizado quando o paciente apresentava alterações no exame neurológico realizado entre as crises, apresentava mais de cinco anos de idade quando do aparecimento da primeira crise, ou suspeitou-se de doença infecciosa, inflamatória, vascular, neoplásica, traumática, degenerativa ou de má-formação como etiologia. Os animais foram acompanhados por meio de consultas/retornos pré-agendados e por ligações telefônicas feitas aos proprietários por somente um entrevistador, utilizando-se um questionário buscando informações sobre a administração dos medicamentos, se houve alteração na duração e intensidade das crises, efeitos colaterais dos medicamentos e para marcar os retornos.
Os pacientes foram medicados com fenobarbital e/ou brometo de potássio. Após 15 dias de tratamento, realizou-se coleta de sangue para dosagem sérica do fenobarbital, e no caso do brometo de potássio, após dois meses de tratamento. Para a dosagem sérica do fenobarbital os pacientes deveriam estar recebendo a medicação corretamente nos últimos 15 dias. A colheita de sangue foi realizada pela manhã, com o animal em jejum, imediatamente antes do horário da administração do medicamento. O sangue era colocado em tubo sem anticoagulante, centrifugado e o sobrenadante coletado e resfriado e enviado ao laboratório. Para a dosagem sérica de brometo de potássio, a coleta foi realizada pela manhã com o animal em jejum e o soro resfriado enviado ao laboratório
Os proprietários receberam orientações gerais sobre o distúrbio e seu controle, além de um calendário para anotações sobre a quantidade, frequência, intervalo das crises epilépticas e presença de possíveis fatores estressantes ou desencadeantes das crises. Foram também orientados sobre a importância da castração de seus animais, sendo este procedimento indicado na maioria dos casos. Avaliou-se então o resultado do tratamento quanto ao controle das crises, considerando-se remissão a interrupção dos episódios e responsivo quando ocorreu diminuição da intensidade e duração dos episódios e aumento do intervalo entre os mesmos, com o animal apresentando boa qualidade de vida com poucos efeitos colaterais dos antiepilépticos. Considerou-se o paciente não-responsivo ao antiepiléptico fenobarbital quando a concentração sérica estava no limite superior sem controle das crises e com a presença de efeitos colaterais. Quanto ao tempo para os pacientes apresentarem controle das crises, considerou-se controle rápido das crises quando este ocorreu em até 30 dias do início do tratamento e demorado quando demorou mais de 60 dias.
Resultados e Discussão: Foram avaliados 25 cães de diferentes idades e raças, com peso entre
A faixa etária destes animais esteve entre dois e 12 anos de idade (média de 5,9 anos), sendo que 18 cães apresentaram a primeira crise epiléptica com idade entre um e cinco anos e sete animais apresentaram a primeira crise epiléptica com idade superior a cinco anos . Segundo Chandler (3), Zimmermann (5) e Platt, Olby (6), cães que apresentam a primeira crise epiléptica entre seis meses e cinco anos de idade provavelmente apresentam epilepsia idiopática, enquanto animais que apresentam a primeira crise com idade superior aos cinco anos provavelmente apresentam epilepsia sintomática. Foram acompanhados oito cães sem raça definida (SRD), quatro Poodle, dois Pinscher, três Yorkshire, três Lhasa Apso, um São Bernardo, um Schnauzer, um Pastor Alemão, um Cocker Spaniel Inglês e um Dachshund . A epilepsia idiopática acomete principalmente cães de raças puras, como Pastor Alemão, São Bernardo, Collie, Poodle e Beagle, enquanto a epilepsia sintomática afeta cães de qualquer raça (2,3,5,6,7). Neste trabalho observou-se predomínio de animais com a ocorrência da primeira crise entre um e cinco anos, com predomínio de cães de raça, indicando que provavelmente estes pacientes apresentavam epilepsia idiopática (2,5) Portanto, neste trabalho, 20 animais tiveram diagnóstico provável de epilepsia idiopática e cinco animais de epilepsia sintomática. É importante lembrar que para o diagnóstico definitivo de epilepsia idiopática, necessita-se de exames de imagem, como ressonância magnética e tomografia computadorizada, para exclusão de outras causas intracranianas de epilepsia, mas este exame não está disponível ainda para a maioria dos veterinários no Brasil. Outros exames, como coleta de líquido cerebroespinal, foram realizados, para descartar distúrbios infecciosos e inflamatórios e apresentavam-se normais (2).
Quanto ao tipo de manifestação clínica das crises epilépticas foram observados: 16 animais (64%) com crise epiléptica generalizada primária tônico-clônica, seis animais (24%) com crise epiléptica generalizada primária tônica, dois animais (8%) com crise epiléptica focal e um animal (4%) com crise epiléptica focal com generalização secundária (quadro 2 e 4). Em estudo realizado por Vianna, Vahia (8), houve predomínio de cães com crises epilépticas do tipo generalizada, o que também foi constatado neste trabalho. A crise epiléptica generalizada tem origem em ambos os hemisférios cerebrais, podendo ser decorrente de alterações extracranianas ou intracranianas, como a epilepsia idiopática (9). Atualmente, o fato da crise ser focalizada ou ocorrer generalização secundária não deve ser usado como critério para excluir a epilepsia idiopática, apesar de que a epilepsia sintomática é a classificação mais provável em cães cujas crises iniciem antes de um ano ou após os cinco anos, tenham início focal e existam anormalidades neurológicas detectadas no exame neurológico realizado entre as crises epilépticas (2). Os cães apresentaram de duas a 15 crises epilépticas antes do início do tratamento. Em dois pacientes que apresentaram somente duas crises epilépticas antes do tratamento, houve um rápido controle da epilepsia, enquanto em oito animais que apresentaram de três a cinco crises, houve controle rápido em quatro e controle demorado em quatro pacientes (quadro 2). Já nos pacientes que apresentaram mais de cinco crises antes do início do tratamento, em apenas três animais houve controle rápido, enquanto que em 11 animais o controle foi demorado e em um animal não houve controle das crises. Assim, nos cães em que o tratamento foi iniciado precocemente, houve controle mais rápido das crises epilépticas. Segundo Podell (10) o excesso de crises epilépticas antes do início do tratamento deve ser evitado, pois cães tratados precocemente apresentam um controle a longo prazo mais efetivo quando comparado com cães que apresentaram muitas crises epilépticas antes do início do tratamento, pois cada episódio pode desencadear um foco adicional e favorecer a ocorrência de uma nova crise epiléptica, fator conhecido também como efeito “Kindling” ou ignição (11).
O fenobarbital foi utilizado na dose de
A porcentagem de controle das crises epilépticas próxima a 80%, descrito em literatura, foi observada no presente estudo, pois em 19 animais (76%) houve o controle das crises apenas com o uso de fenobarbital. O ajuste da dose foi realizado em 20 animais que apresentaram o nível sérico abaixo ou acima do intervalo recomendado. O conhecimento da concentração sérica de cada paciente permitiu que a dose fosse corrigida antes que ocorressem falhas ou reações adversas (15), evitando ainda o uso desnecessário ou precoce de outros antiepilépticos (4,16). Dessa forma, foi possível atingir a concentração sérica ideal com a menor dose possível, diminuindo a probabilidade de hepatotoxicidade (17). Dos 12 pacientes encaminhados por colegas, 11 animais recebiam fenobarbital e um recebia difenil-hidantoína sódica associado ao diazepam. Nos cães que já estavam sendo tratados com fenobarbital, coletou-se sangue para dosagem sérica do medicamento para posterior ajuste da dose, exceto em uma paciente que apesar desta indicação, retornou somente após três meses em estado epiléptico (EE), indo a óbito em seguida. Verificou-se nos 10 pacientes que cinco deles apresentaram concentração sérica abaixo da concentração terapêutica eficaz, ou seja, abaixo de 20 µg /ml e cinco apresentaram concentração sérica dentro do intervalo de eficácia, entre 20 e 45 µg /ml. Como existe uma grande variação na farmacocinética entre indivíduos de mesma espécie, a concentração sérica deve ser utilizada para avaliar o efeito do tratamento e possíveis efeitos tóxicos, sendo muito importante esta monitoração periodicamente (12). Já a difenil-hidantoína tem sua eficácia questionada como antiepiléptico em cães, devido a seu curto tempo de meia-vida e baixa absorção pelo trato gastrintestinal canino, não mantendo, portanto, a concentração sérica adequada (16). O diazepam apresenta, além do tempo de meia-vida curto, rápida tolerância após uma a duas semanas de tratamento, sendo indicado somente no EE e não no tratamento contínuo (18). Assim, o animal que recebia associação destes dois fármacos, passou a receber o fenobarbital e a associação foi retirada gradualmente. É importante ressaltar que a monoterapia deve ser o objetivo do tratamento da epilepsia, pois segundo Podell (9,10), deve-se utilizar um único fármaco inicialmente para que seus efeitos sejam maximizados, reduzindo os efeitos colaterais e evitando a interação medicamentosa.
Houve remissão das crises epilépticas em quatro pacientes, sendo eles: uma Lhasa Apso, fêmea inteira com sete anos de idade; uma SRD, fêmea inteira com cinco anos; uma Pinscher, fêmea inteira com dois anos e outra Pinscher, fêmea castrada com dois anos. Nestes casos, os proprietários foram assíduos no comparecimento às consultas previamente agendadas, os check ups foram regulares assim como o ajuste das doses e a concentração sérica estava em níveis ideais. Para garantir a eficácia e a evolução do tratamento, é necessário, além do agendamento de retornos, também a realização de exames laboratoriais a cada três a seis meses para verificar a concentração sérica do fármaco e possível desenvolvimento de hepatotoxicidade, que pode ocorrer em 14% dos cães tratados com fenobarbital (19,20). Em cinco pacientes que apresentavam concentração sérica próxima do limite superior e ainda apresentavam muitas crises epilépticas, foi associado o brometo de potássio, na dose de 30 mg/kg a cada 24 horas. Antiepilépticos adicionais só devem ser utilizados quando as crises epilépticas não são controladas com monoterapia utilizada por no mínimo dois meses e cujo nível sérico terapêutico máximo tenha sido alcançado (15). Assim, neste trabalho o brometo de potássio foi associado com fenobarbital em 20% dos casos, obtendo-se controle das crises epilépticas, pois as crises reduziram de frequência e intensidade, além de aumentar o intervalo entre as crises em todos os pacientes com esta associação. O nível sérico do brometo de potássio foi mensurado em apenas dois pacientes, sendo que os valores encontrados estão presentes no quadro 3, pois os demais proprietários não permitiram realizar a dosagem do brometo de potássio devido ao custo elevado deste exame.
Falhas no tratamento da epilepsia também podem ser decorrentes de erros na administração dos medicamentos e inconstância na administração dos mesmos (quadro 2) (4,15). Ocorreu subdose ou sobredose em quatro pacientes e interrupção do tratamento em seis cães. Mesmo com a orientação adequada aos proprietários, houve interrupção temporária do tratamento, evidenciando que há dificuldade no entendimento das recomendações por parte de muitos proprietários, mostrando que o veterinário deve confirmar várias vezes durante o tratamento se as instruções estão sendo realmente seguidas. A redução ou excesso da dose do antiepiléptico ocorreu por erro na administração do medicamento pelos proprietários. O uso de fenobarbital em gotas em nove animais foi associado com alto índice de falha terapêutica. Dos nove cães que receberam o fenobarbital em gotas, sete apresentaram problemas devido a salivação excessiva, pois os proprietários administraram a medicação gota a gota diretamente na cavidade oral, havendo perda do medicamento administrado, sendo necessário mudar a apresentação do medicamento para comprimido, obtendo-se assim um controle eficaz das crises epilépticas.
Sete proprietários não trouxeram seus animais às consultas previamente agendadas, sendo um proprietário do paciente pertencente ao grupo de controle rápido das crises, cinco proprietários dos animais que apresentaram controle demorado dos episódios e um proprietário de um animal que não apresentou controle das crises (quadro 1). No inicio do tratamento deve-se fazer retornos com intervalos menores, para a determinação da dose terapêutica eficaz e reavaliação do animal (4). Após estabilização do quadro, devem ser realizados retornos a cada três ou seis meses, para monitoração do paciente (20,21).
Duas pacientes vieram a óbito: uma cadela Poodle com 12 anos de idade, tratada com fenobarbital há seis anos, cujas crises estavam controladas, apresentou quadro de êmese e anorexia. Após exame de ultra-sonografia suspeitou-se de neoplasia hepática, e devido à piora do quadro clínico foi submetida à eutanásia, porém não foi permitido a necropsia. Fenobarbital administrado de forma crônica pode causar lesão hepática (19), mas esta não é frequente se a monitoração do tratamento for adequada (4). Nos exames bioquímicos anteriores deste paciente, a única alteração encontrada foi o aumento de fosfatase alcalina (106,2 U/l), o que é esperado devido à indução das enzimas hepáticas pelo fenobarbital (20).
O segundo paciente, uma cadela Poodle de 12 anos tratada há sete meses com o mesmo medicamento, com as crises também sob controle, apresentou êmese e diarreia com sangue, sendo a ultrasonografia sugestiva de pancreatite aguda. Realizou-se laparotomia exploratória que permitiu a confirmação da suspeita e mesmo com o tratamento indicado para pancreatite, houve piora do estado geral e óbito. A pancreatite é relatada em cães recebendo fenobarbital associado ao brometo de potássio (22), entretanto neste caso esta associação não foi feita.
Em uma paciente Cocker Spaniel Inglês de cinco anos de idade não castrada, com histórico de crises epilépticas há um ano, encaminhada por colega, e já medicada com fenobarbital na dose de 3mg/kg a cada 12 horas, não houve sucesso no tratamento. Realizou-se check up, manteve-se a dose do medicamento e solicitou-se retorno para coleta de sangue para dosagem sérica, o que não foi feito pelo proprietário, culminando no atendimento do paciente em EE três meses após o atendimento inicial, ocorrendo então o óbito. Segundo Berendt et al (23), o diagnóstico de epilepsia em cães implica em um risco maior de óbito prematuramente, em média aos sete anos, sendo o prognóstico o resultado da combinação da capacidade do veterinário, sucesso terapêutico e motivação do proprietário, sendo que a mortalidade parece ser maior nos dois primeiros anos após o diagnóstico (23). A colaboração do proprietário é primordial para o sucesso terapêutico (4), e para facilitar esta interação os clínicos poderiam usar um sistema mais eficaz para agendar o retorno desses pacientes, para garantir que as reavaliações sejam realizadas adequadamente.
Entre as fêmeas, quatro eram castradas e três foram submetidas à ovariosalpingohisterectomia (OSH) durante o acompanhamento por indicação terapêutica (quadro 1). Os machos atendidos não eram castrados e apesar da indicação da cirurgia, apenas um animal foi submetido à orquiectomia (quadro 2). A esterilização até recentemente era indicada como parte do tratamento, pois durante o estro as alterações hormonais diminuem o limiar para ocorrência de crises epilépticas (15), o que também é observado em mulheres (24,25). No caso dos machos o estresse e hormônios também favorecem a ocorrência de crises epilépticas (4). Após a orientação, apenas quatro proprietários concordaram com a esterilização, havendo bastante dificuldade em convencer os proprietários a autorizarem este procedimento. Entretanto, Zimmemann et al. (5) observaram em um grupo de 394 cães que fêmeas esterilizadas apresentavam maior chance de EE quando comparado a fêmeas intactas e à população hospitalar, porém nenhuma explanação conclusiva foi feita com base nesta constatação (5), sendo ainda a esterilização recomendada com base em outros estudos (24).
Por se tratar de um hospital escola com um número elevado de profissionais envolvidos no atendimento destes casos, algumas dificuldades foram observadas, mas pretende-se com os resultados obtidos melhorar o tratamento dos pacientes. Assim, após o acompanhamento destes casos, sugere-se a implantação de: 1) uma ficha própria para o atendimento de cães com epilepsia, incluindo uma tabela para anotação dos resultados de todos os exames realizados periodicamente, o que permite verificar e acompanhar alterações súbitas do estado do paciente facilitando o atendimento do paciente quando há rodízio dos veterinários do setor; 2) entrega de uma cópia desta ficha ao proprietário para que em caso de emergência, o veterinário plantonista possa ter acesso rápido às informações; 3) realização de aulas de educação continuada do corpo clínico envolvido no atendimento destes casos.
Conclusão: Cães epilépticos e seus proprietários requerem atenção especial do clínico veterinário de pequenos animais, para que haja um correto esclarecimento sobre o distúrbio e seu tratamento, devendo-se realizar vários atendimentos até que a dose ideal do antiepiléptico seja estabelecida e o proprietário compreenda todas as recomendações e implicações do tratamento. As falhas observadas estiveram relacionadas à administração inadequada da medicação, principalmente na apresentação em gotas e ao não comparecimento nas consultas agendadas, por isso é importante ressaltar que um controle rápido e eficaz das crises epilépticas não depende apenas do clínico veterinário, mas da interação e comunicação do veterinário com o proprietário para que essas falhas sejam evitadas.
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