31 de out. de 2012

Aspectos epidemiológicos e manifestações neuropatológicas associadas à infecção pelo vírus da cinomose canina no Brasil: uma revisão



Epidemiological features and the neuropathological manifestations 
of canine distemper virus-induced infections in Brazil: a review
Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 33, n. 5, p. 1945-1978, set./out. 2012

http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/semagrarias/article/view/10774/11576

Selwyn Arlington Headley,  Alexandre Mendes Amude; Alice Fernandes Alfieri; Ana Paula F. R. L. Bracarense; Amauri Alcindo Alfieri


Resumo: Esse manuscrito apresenta uma revisão crítica das tendências epidemiológicas associadas a cinomose  canina (CDV) e às síndromes relacionadas à encefalite por cinomose com referência específica à situação  no Brasil. Os dados epidemiológicos relativos às populações de animais suscetíveis, prevalência, sazonalidade e os padrões relacionados à idade foram discutidos. Também é enfocada nessa revisão  a participação de cães de rua na manutenção do CDV nas populações caninas nas áreas rurais e nas  regiões semiurbanas e a sua importância na epidemiologia da cinomose. Foi ainda estimado o impacto  econômico relacionado ao tratamento das manifestações clínicas associadas à cinomose no Brasil. Adicionalmente, as manifestações neurológicas e neuropatológicas da cinomose são discutidas e uma manifestação neuropatológica inédita da infecção é sugerida.


Abstract: This review provides a critical review of current epidemiological trends of canine distemper virus 
(CDV) and syndromes related to canine distemper encephalitis (CDE) with specific reference to the situation in Brazil. Epidemiological data relative to susceptible animal populations, prevalence, seasonal occurrence, and age-related patterns associated with CDV are discussed. The participation of mongrel dogs in maintaining CDV within rural and semi-urban canine populations and their importance in the epidemiology of canine distemper is highlighted. The economic impact of treating the clinical manifestations associated with CDV-induced infections in Brazil is estimated. Additionally, neurological and neuropathological manifestations of CDV in Brazil are discussed, and a novel manifestation of CDE is proposed.


11 de out. de 2012

Sinais neurológicos associados a pacientes caninos com linfoma

http://www.scielo.org.co/pdf/rmv/n23/n23a04.pdf

Rev. Med. Vet.  N.º 23 2012 p. 33-37

Adriana Patricia Suraniti,  Liliana R. Gilardoni, Graciela Mira, Jorge Guerrero,  Marcela Edith Pereira,  María Mercedes Fidanza, Elsa Graciela Maubecin,  Adriana Duchene, Eduardo Alberto Tonelli,  Mary  Marcondes

Sinais neurológicos associados a pacientes caninos com linfoma

Resumo: O câncer altera as estruturas ou as funções de órgãos vizinhos por sua simples presença, com as consequentes manifestações clínicas; mas também produz efeitos nocivos em órgãos distantes. Estas alterações clínicas induzidas pela ação não invasiva do tumor são de grande diversidade clínica e são conhecidas como síndromes paraneoplásicas. No presente trabalho descrevem- se quatro casos de pacientes caninos com alterações neurológicas associadas à linfadenopatia superficial generalizada.

Neurological Symptoms Associated to Canine Patients with Lymphoma

Abstract: Cancer alters the structure or functions of adjacent organs with their sole presence, and subsequent clinical manifestations, but can also cause harmful effects in distant organs. These  clinical changes induced by non-invasive tumor action are of great clinical diversity and are known as paraneoplastic syndromes. This paper describes four cases of canine patients with  neurological disorders associated to generalized superficial lymphadenopathy.

13 de set. de 2012

Afecções neurológicas e abordagens cirúrgicas na coluna vertebral, medula espinhal e raízes nervosas da transição cervicotorácica em cães e gatos

Revista Clínica Veterinária, Ano XVII, N. 100, p. 80-96, 2012

Autores: Murilo Cézar Curti, Mônica Vicky Bahr Arias; DCV/UEL

Resumo: As vértebras cervicais caudais e torácicas craniais, bem como a medula espinhal cervicotorácica e as raízes nervosas do plexo braquial de cães e gatos, estão sujeitas a diversas enfermidades. Em muitos casos é necessária a realização de procedimentos cirúrgicos com o objetivo de diagnosticar ou tratar essas alterações, como, por exemplo, biópsia, cirurgia descompressiva ou estabilização das vértebras acometidas. Entretanto, como esse segmento é afetado por doenças com menos frequência do que as regiões cervical, toracolombar e lombossacral, a literatura é restrita quanto à descrição das técnicas cirúrgicas de acesso a essa região. O objetivo deste trabalho é realizar uma revisão da anatomia da transição cervicotorácica e das principais doenças que podem acometer essas estruturas em cães e gatos, e descrever as abordagens cirúrgicas que permitam acesso às vértebras, à medula e ao plexo braquial do cão.Unitermos: vértebras cervicais, vértebras torácicas, neurocirurgia

ABSTRACT: The cranial thoracic and caudal cervical vertebras as well as the cervicothoracic spinal and nervous roots from the brachial plexus of cat and dogs are subjected to several diseases. In many cases, surgical procedures such as biopsy descompressive surgery or stabilization of the affected vertebras are necessary in order to diagnose or treat such changes. Nervertheless, since this segment is less frequently affected by diseases than the cervical, thoracolumbar and lumbosacral areas, the literature is quite limited concerning the description of surgical techniques to access this particular area. The objective of this paper is to review the main diseases that might affecte dogs and cats and the description of surgical approaches that allow acess to the vertebras, spinal cord and brachial plexus in the dog. KEYWORDS:cervical vertebrae; thoracic vertebrae, neurosurgery.

5 de set. de 2012

Intoxicação por metronidazol em cão – relato de caso

Marta Cristina Thomas Heckler, Carla Cristina Machado Riani Costa, Hugo Riani Costa, Rogério Martins Amorim

Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, UNESP, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Botucatu, SP. Brasil

Resumo

O metronidazol é um antibiótico nitronidazólico usado na medicina veterinária para o tratamento de uma variedade de doenças. A causa da neurotoxicidade pelo metronidazol ainda não foi determinada. Relata-se o caso de um cão, fêmea, da raça Teckel, de cinco anos de idade, com histórico de dorsoflexão da cauda, ataxia, rigidez de musculatura, decúbito, nistagmo vertical, apatia e anorexia, que estava sendo medicada há sete dias com metronidazol em dose maior que a máxima recomendada, sendo que os sinais neurológicos iniciaram-se após esse período. As alterações neurológicas foram compatíveis com disfunção vestibular central causada pelo metronidazol, tais como ataxia e nistagmo vertical. Além das alterações neurológicas, o quadro de anorexia e apatia é condizente com a administração de doses excessivas do fármaco. O diagnóstico da intoxicação por metronidazol é baseado na história de administração de doses normais a aumentadas, nos sinais clínicos e na resolução destes após a suspensão da droga. Geralmente, o prognóstico é favorável após a suspensão do medicamento e com o diagnóstico precoce. Alguns cães podem morrer e outros podem se recuperar completamente. O cão apresentou resolução completa do quadro de neurotoxicose após a suspensão da terapia e o tratamento de suporte. Os médicos veterinários devem estar alertas sobre as complicações potenciais associadas ao uso deste medicamento, bem como limitar seu uso crônico ou em altas doses para os casos mais graves, e diagnosticar o problema o mais rápido possível para instituir o tratamento precocemente.

Abstract

Metronidazole is a nitronidazolic antibiotic used in veterinary medicine to the treatment of a variety of diseases. The cause of metronidazole neurotoxicity has not been determined. We report the case of a dog, female, Teckel, five-year-old, with a history of dorsiflexion of the tail, ataxia, muscle stiffness, recumbency, vertical nystagmus, apathy and anorexia, which was being medicated for seven days with metronidazole in a dose higher than the maximum recommended, and the neurological signs began after this period. Neurological signs were consistent with central vestibular dysfunction caused by metronidazole, such as ataxia and vertical nystagmus. In addition to the neurological changes, the clinical signs of anorexia and apathy are consistent with the administration of excessive doses of the medicine. The diagnosis of metronidazole-induced toxicosis is based on the history of normal to increased doses, clinical signs and resolution after discontinuation of the drug. In general, the prognosis is good after drug withdrawal and early diagnosis. Some dogs may die and others may recover completely. The neurotoxicosis has disappeared after the suspension of the medicine and supportive treatment. Veterinarians must be aware of potential complications associated with the use of this medicine, as well as limit their chronic use or high doses for the most severe cases, and diagnose the problem as quickly as possible to institute an early treatment.

30 de jun. de 2012

DISCOESPONDILITE EM CÃES

É a infecção do disco intervertebral e das placas vertebrais terminais dos corpos vertebrais adjacentes. Comumente causada por bactérias e ocasionalmente fungos.

Etiologia: As bactérias se dirigem às vértebras usualmente pela via hematógena, com origem de outras partes do corpo, principalmente vindas do trato urinário, pele, cavidade oral e endocárdio.

Diagnóstico: pela história e sinais clínicos: cães de raças grandes são mais comumente afetados. É raro em gatos, mas pode ocorrer osteomielite vertebral, sem acometimento dos discos, decorrente de ferimentos externos.

Sinais clínicos: depressão, anorexia, febre, a dor intensa é o primeiro sinal. Pode haver emagrecimento progressivo. Dependendo da vértebra afetada pode haver rigidez, tetraparesia ou paresia, paraplegia em casos mais graves ou que tenham sido inadvertidamente tratados com corticóides!!!! No exame clínico procurar sinais clínicos como sopro, pois endocardite pode ser a fonte da infecção. Nos exames laboratoriais pode ocorrer no Hemograma: leucocitose e neutrofilia, a urinálise pode detectar foco de infecção (cistite)

No exame radiográfico realizado até 3 semanas após início dos sinais as radiografias podem estar normais. Os sinais radiológicos são: osteólise e proliferação, esclerose vertebral, encurtamento dos corpos vertebrais, espaço do disco diminuído e mais de um disco pode ser acometido, ou seja, procurar em toda a coluna. os locais mais comuns são L7-S1, T13-L1, L1-L2, C6-C7

Fazer também hemocultura e urocultura e caso o animal tenha sido usado para reprodução uma outra bactéria importante é a Brucelose

TRATAMENTO: envolve a antibioticoterapia agressiva e prolongada baseada nos organismos mais comumente envolvidos ou no resultado das culturas. As cefalosporinas são os antibióticos mais indicados. Ocorre melhora inicial em 48 horas. Se isso não ocorrer, rever o antibiótico. Outras opções são a amicacina, clindamicina e enrofloxacina. É importante manter o paciente em repouso absoluto para evitar fraturas patológicas e caso não haja melhora coletar material para cultura, inclusive fúngica, por cirurgia para então entrar com a medicação mais adequada. Se houve resposta adequada, realizar controle radiográfico a cada 4-6 semanas. O prognóstico é bom para cães com alterações leves e que caminhem, mas deve ser feito descompressão e estabilização nos casos severos com instabilidade vertebral. No caso de Brucella canis, lembrar que é uma zoonose, e o animal deve ser castrado para não ser reservatório da infecção e neste caso o antibiótico indicado é tetraciclina + aminoglicosídeos

Links:

http://rottweilerhealth.org/pdfs/sept_disko_betbeze_02.pdf

http://www.dcvets.org/surgical/Discospondylitis.pdf


22 de jun. de 2012

Acompanhamento dos casos de epilepsia canina atendidos no Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina

Monitoring of cases of canine epilepsy treated in Veterinary Hospital of Universidade Estadual de Londrina

MEDVEP - Revista Científica de Medicina Veterinária. Pequenos Animais e Animais de Estimação

v. 10, p. 134-140, 2012.

Josefa Gomes de Lima – Bolsista de Iniciação Científica UEL, UEL

Mônica Vicky Bahr Arias – Profa Associada do DCV, UEL

Resumo: O objetivo deste trabalho foi o acompanhamento de 25 cães com epilepsia idiopática ou sintomática, atendidos no Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina entre outubro de 2008 e agosto de 2010. Os animais foram submetidos a exame clínico e neurológico periodicamente, e à coleta de sangue para exames laboratoriais e dosagem sérica dos antiepilépticos utilizados. Quando necessário, procedeu-se ao ajuste das doses dos mesmos. Os proprietários foram ainda orientados sobre o distúrbio, tratamento e possíveis efeitos colaterais dos antiepilépticos utilizados. Este trabalho permitiu avaliar a epidemiologia, resultados do tratamento, efeitos colaterais e motivos de falha terapêutica.

Abstract: The objective of this study was the monitoring of dogs with idiopathic or symptomatic epilepsy, treated at the Veterinary Hospital of Universidade Estadual de Londrina, from October 2008 to August 2010. These animals were subjected to clinical and neurological examination periodically, and to blood sampling for laboratory tests and for measurement of serum levels of antiepileptic used. When necessary, we adjusted the doses of antiepileptics drugs. The owners were also informed about the disturb, treatment and possible side effects of antiepileptic drugs used. This work allowed us to evaluate the epidemiology, treatment outcomes, side effects and reasons for treatment failure.

Introdução: Epilepsia é um distúrbio cerebral crônico, caracterizado por crises epilépticas recidivantes (1,2), sendo que entre os episódios o animal apresenta-se consciente (2). A epilepsia pode ser classificada como idiopática, sintomática, e provavelmente sintomática (2). Na epilepsia sintomática existe um processo patológico de base, enquanto que na epilepsia provavelmente sintomática este processo também existe, mas não é possível o seu diagnóstico (2). O clínico de pequenos animais constantemente enfrenta diversos problemas no tratamento da epilepsia em cães, pois poucos antiepilépticos são eficazes nesta espécie (3). Deve haver constância na administração dos medicamentos, o que requer grande dedicação do proprietário, havendo necessidade de reavaliações periódicas do paciente para controle do nível sérico dos antiepilépticos administrados, realização dos ajustes da dose quando necessário e detecção de possíveis efeitos colaterais (3,4). Assim, este trabalho teve como objetivo o acompanhamento de cães com epilepsia idiopática ou sintomática atendidos na rotina do Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), com o propósito de avaliar dados epidemiológicos, resultados dos tratamentos, efeitos colaterais e motivos de falha terapêutica.

Material e Métodos: No período de outubro de 2008 a agosto de 2010 (22 meses), foram acompanhados 25 cães atendidos na rotina da Divisão de Animais de Companhia do HV da UEL, com diagnóstico de epilepsia idiopática ou sintomática, sendo 12 animais encaminhados por colegas devido a controle inadequado das crises epilépticas. Os cães foram submetidos a exame clínico, neurológico e laboratorial (hemograma, bioquímicos como fosfatase alcalina, alanina aminotransferase, creatinina, proteína total, albumina, glicemia, calcemia, colesterol, urinálise, citologia aspirativa em caso de nódulos cutâneos, radiografias de tórax, reação em cadeia da polimerase precedida de transcrição reversa (RT-PCR) para cinomose, coleta e análise de líquido cerebroespinal e ultra-sonografias de abdômen), e seus respectivos dados epidemiológicos, como sexo, idade do início das crises epilépticas, descrição da crise epiléptica, intervalo entre as mesmas e resultado dos exames foram devidamente computados.

A classificação da epilepsia foi realizada de acordo com a idade de aparecimento da primeira crise, raça, descrição da crise epiléptica, e resultados dos exames laboratoriais. Assim, o termo epilepsia idiopática foi utilizado quando nenhuma etiologia foi identificada, uma predisposição familiar foi presumida e a primeira crise ocorreu antes dos cinco anos de idade, enquanto que o termo epilepsia sintomática foi utilizado quando o paciente apresentava alterações no exame neurológico realizado entre as crises, apresentava mais de cinco anos de idade quando do aparecimento da primeira crise, ou suspeitou-se de doença infecciosa, inflamatória, vascular, neoplásica, traumática, degenerativa ou de má-formação como etiologia. Os animais foram acompanhados por meio de consultas/retornos pré-agendados e por ligações telefônicas feitas aos proprietários por somente um entrevistador, utilizando-se um questionário buscando informações sobre a administração dos medicamentos, se houve alteração na duração e intensidade das crises, efeitos colaterais dos medicamentos e para marcar os retornos.

Os pacientes foram medicados com fenobarbital e/ou brometo de potássio. Após 15 dias de tratamento, realizou-se coleta de sangue para dosagem sérica do fenobarbital, e no caso do brometo de potássio, após dois meses de tratamento. Para a dosagem sérica do fenobarbital os pacientes deveriam estar recebendo a medicação corretamente nos últimos 15 dias. A colheita de sangue foi realizada pela manhã, com o animal em jejum, imediatamente antes do horário da administração do medicamento. O sangue era colocado em tubo sem anticoagulante, centrifugado e o sobrenadante coletado e resfriado e enviado ao laboratório. Para a dosagem sérica de brometo de potássio, a coleta foi realizada pela manhã com o animal em jejum e o soro resfriado enviado ao laboratório

Os proprietários receberam orientações gerais sobre o distúrbio e seu controle, além de um calendário para anotações sobre a quantidade, frequência, intervalo das crises epilépticas e presença de possíveis fatores estressantes ou desencadeantes das crises. Foram também orientados sobre a importância da castração de seus animais, sendo este procedimento indicado na maioria dos casos. Avaliou-se então o resultado do tratamento quanto ao controle das crises, considerando-se remissão a interrupção dos episódios e responsivo quando ocorreu diminuição da intensidade e duração dos episódios e aumento do intervalo entre os mesmos, com o animal apresentando boa qualidade de vida com poucos efeitos colaterais dos antiepilépticos. Considerou-se o paciente não-responsivo ao antiepiléptico fenobarbital quando a concentração sérica estava no limite superior sem controle das crises e com a presença de efeitos colaterais. Quanto ao tempo para os pacientes apresentarem controle das crises, considerou-se controle rápido das crises quando este ocorreu em até 30 dias do início do tratamento e demorado quando demorou mais de 60 dias.

Resultados e Discussão: Foram avaliados 25 cães de diferentes idades e raças, com peso entre 2,4 Kg e 35 Kg (média de 10,3 Kg), sendo 18 fêmeas e sete machos.

A faixa etária destes animais esteve entre dois e 12 anos de idade (média de 5,9 anos), sendo que 18 cães apresentaram a primeira crise epiléptica com idade entre um e cinco anos e sete animais apresentaram a primeira crise epiléptica com idade superior a cinco anos . Segundo Chandler (3), Zimmermann (5) e Platt, Olby (6), cães que apresentam a primeira crise epiléptica entre seis meses e cinco anos de idade provavelmente apresentam epilepsia idiopática, enquanto animais que apresentam a primeira crise com idade superior aos cinco anos provavelmente apresentam epilepsia sintomática. Foram acompanhados oito cães sem raça definida (SRD), quatro Poodle, dois Pinscher, três Yorkshire, três Lhasa Apso, um São Bernardo, um Schnauzer, um Pastor Alemão, um Cocker Spaniel Inglês e um Dachshund . A epilepsia idiopática acomete principalmente cães de raças puras, como Pastor Alemão, São Bernardo, Collie, Poodle e Beagle, enquanto a epilepsia sintomática afeta cães de qualquer raça (2,3,5,6,7). Neste trabalho observou-se predomínio de animais com a ocorrência da primeira crise entre um e cinco anos, com predomínio de cães de raça, indicando que provavelmente estes pacientes apresentavam epilepsia idiopática (2,5) Portanto, neste trabalho, 20 animais tiveram diagnóstico provável de epilepsia idiopática e cinco animais de epilepsia sintomática. É importante lembrar que para o diagnóstico definitivo de epilepsia idiopática, necessita-se de exames de imagem, como ressonância magnética e tomografia computadorizada, para exclusão de outras causas intracranianas de epilepsia, mas este exame não está disponível ainda para a maioria dos veterinários no Brasil. Outros exames, como coleta de líquido cerebroespinal, foram realizados, para descartar distúrbios infecciosos e inflamatórios e apresentavam-se normais (2).

Quanto ao tipo de manifestação clínica das crises epilépticas foram observados: 16 animais (64%) com crise epiléptica generalizada primária tônico-clônica, seis animais (24%) com crise epiléptica generalizada primária tônica, dois animais (8%) com crise epiléptica focal e um animal (4%) com crise epiléptica focal com generalização secundária (quadro 2 e 4). Em estudo realizado por Vianna, Vahia (8), houve predomínio de cães com crises epilépticas do tipo generalizada, o que também foi constatado neste trabalho. A crise epiléptica generalizada tem origem em ambos os hemisférios cerebrais, podendo ser decorrente de alterações extracranianas ou intracranianas, como a epilepsia idiopática (9). Atualmente, o fato da crise ser focalizada ou ocorrer generalização secundária não deve ser usado como critério para excluir a epilepsia idiopática, apesar de que a epilepsia sintomática é a classificação mais provável em cães cujas crises iniciem antes de um ano ou após os cinco anos, tenham início focal e existam anormalidades neurológicas detectadas no exame neurológico realizado entre as crises epilépticas (2). Os cães apresentaram de duas a 15 crises epilépticas antes do início do tratamento. Em dois pacientes que apresentaram somente duas crises epilépticas antes do tratamento, houve um rápido controle da epilepsia, enquanto em oito animais que apresentaram de três a cinco crises, houve controle rápido em quatro e controle demorado em quatro pacientes (quadro 2). Já nos pacientes que apresentaram mais de cinco crises antes do início do tratamento, em apenas três animais houve controle rápido, enquanto que em 11 animais o controle foi demorado e em um animal não houve controle das crises. Assim, nos cães em que o tratamento foi iniciado precocemente, houve controle mais rápido das crises epilépticas. Segundo Podell (10) o excesso de crises epilépticas antes do início do tratamento deve ser evitado, pois cães tratados precocemente apresentam um controle a longo prazo mais efetivo quando comparado com cães que apresentaram muitas crises epilépticas antes do início do tratamento, pois cada episódio pode desencadear um foco adicional e favorecer a ocorrência de uma nova crise epiléptica, fator conhecido também como efeito “Kindling” ou ignição (11).

O fenobarbital foi utilizado na dose de 2,5 a 10 mg/kg (média de 3,5 mg/kg) a cada 12 horas e o nível sérico encontrado variou de 8,91 µg/ml a 42,5 µg /ml. No presente trabalho, optou-se por utilizar inicialmente o fenobarbital, por tratar-se de um antiepiléptico seguro, de elevada eficácia, com baixo custo, mínima toxicidade e com poucos efeitos colaterais e que segundo a literatura consultada, controla as crises em 60 a 80% dos casos (2,12,13,14). Os principais efeitos colaterais descritos com o uso do fenobarbital são sedação, polidipsia, poliúria e polifagia (2). Pode ainda ser hepatotóxico, principalmente quando a concentração sérica é mantida por longo tempo acima de 35 µg/ml e mais raramente pode haver neutropenia e trombocitopenia (2). Efeitos colaterais temporários como polifagia, polidipsia, sedação, ataxia ou aumento de peso foram observados em 16 animais. Segundo Bahr Arias, Pedro Neto (17), os efeitos colaterais do fenobarbital costumam diminuir após duas semanas de tratamento e os proprietários devem ser orientados a não interromper o tratamento neste período. Neste trabalho, os efeitos colaterais cessaram em sete dias em dois animais, em 15 dias em sete cães, após 30 dias em três pacientes, e em dois meses em quatro animais após o inicio do tratamento. Em estudo realizado por Vianna, Vahia (8), os 74 cães acompanhados permaneceram com os efeitos colaterais durante os dois anos e cinco meses de estudo, tanto com o fenobarbital quanto com o brometo de potássio. Mas segundo Birchard e Sherding (1), os efeitos colaterais desaparecem em menos tempo, normalmente, em uma a duas semanas, conforme observado no presente estudo.

A porcentagem de controle das crises epilépticas próxima a 80%, descrito em literatura, foi observada no presente estudo, pois em 19 animais (76%) houve o controle das crises apenas com o uso de fenobarbital. O ajuste da dose foi realizado em 20 animais que apresentaram o nível sérico abaixo ou acima do intervalo recomendado. O conhecimento da concentração sérica de cada paciente permitiu que a dose fosse corrigida antes que ocorressem falhas ou reações adversas (15), evitando ainda o uso desnecessário ou precoce de outros antiepilépticos (4,16). Dessa forma, foi possível atingir a concentração sérica ideal com a menor dose possível, diminuindo a probabilidade de hepatotoxicidade (17). Dos 12 pacientes encaminhados por colegas, 11 animais recebiam fenobarbital e um recebia difenil-hidantoína sódica associado ao diazepam. Nos cães que já estavam sendo tratados com fenobarbital, coletou-se sangue para dosagem sérica do medicamento para posterior ajuste da dose, exceto em uma paciente que apesar desta indicação, retornou somente após três meses em estado epiléptico (EE), indo a óbito em seguida. Verificou-se nos 10 pacientes que cinco deles apresentaram concentração sérica abaixo da concentração terapêutica eficaz, ou seja, abaixo de 20 µg /ml e cinco apresentaram concentração sérica dentro do intervalo de eficácia, entre 20 e 45 µg /ml. Como existe uma grande variação na farmacocinética entre indivíduos de mesma espécie, a concentração sérica deve ser utilizada para avaliar o efeito do tratamento e possíveis efeitos tóxicos, sendo muito importante esta monitoração periodicamente (12). Já a difenil-hidantoína tem sua eficácia questionada como antiepiléptico em cães, devido a seu curto tempo de meia-vida e baixa absorção pelo trato gastrintestinal canino, não mantendo, portanto, a concentração sérica adequada (16). O diazepam apresenta, além do tempo de meia-vida curto, rápida tolerância após uma a duas semanas de tratamento, sendo indicado somente no EE e não no tratamento contínuo (18). Assim, o animal que recebia associação destes dois fármacos, passou a receber o fenobarbital e a associação foi retirada gradualmente. É importante ressaltar que a monoterapia deve ser o objetivo do tratamento da epilepsia, pois segundo Podell (9,10), deve-se utilizar um único fármaco inicialmente para que seus efeitos sejam maximizados, reduzindo os efeitos colaterais e evitando a interação medicamentosa.

Houve remissão das crises epilépticas em quatro pacientes, sendo eles: uma Lhasa Apso, fêmea inteira com sete anos de idade; uma SRD, fêmea inteira com cinco anos; uma Pinscher, fêmea inteira com dois anos e outra Pinscher, fêmea castrada com dois anos. Nestes casos, os proprietários foram assíduos no comparecimento às consultas previamente agendadas, os check ups foram regulares assim como o ajuste das doses e a concentração sérica estava em níveis ideais. Para garantir a eficácia e a evolução do tratamento, é necessário, além do agendamento de retornos, também a realização de exames laboratoriais a cada três a seis meses para verificar a concentração sérica do fármaco e possível desenvolvimento de hepatotoxicidade, que pode ocorrer em 14% dos cães tratados com fenobarbital (19,20). Em cinco pacientes que apresentavam concentração sérica próxima do limite superior e ainda apresentavam muitas crises epilépticas, foi associado o brometo de potássio, na dose de 30 mg/kg a cada 24 horas. Antiepilépticos adicionais só devem ser utilizados quando as crises epilépticas não são controladas com monoterapia utilizada por no mínimo dois meses e cujo nível sérico terapêutico máximo tenha sido alcançado (15). Assim, neste trabalho o brometo de potássio foi associado com fenobarbital em 20% dos casos, obtendo-se controle das crises epilépticas, pois as crises reduziram de frequência e intensidade, além de aumentar o intervalo entre as crises em todos os pacientes com esta associação. O nível sérico do brometo de potássio foi mensurado em apenas dois pacientes, sendo que os valores encontrados estão presentes no quadro 3, pois os demais proprietários não permitiram realizar a dosagem do brometo de potássio devido ao custo elevado deste exame.

Falhas no tratamento da epilepsia também podem ser decorrentes de erros na administração dos medicamentos e inconstância na administração dos mesmos (quadro 2) (4,15). Ocorreu subdose ou sobredose em quatro pacientes e interrupção do tratamento em seis cães. Mesmo com a orientação adequada aos proprietários, houve interrupção temporária do tratamento, evidenciando que há dificuldade no entendimento das recomendações por parte de muitos proprietários, mostrando que o veterinário deve confirmar várias vezes durante o tratamento se as instruções estão sendo realmente seguidas. A redução ou excesso da dose do antiepiléptico ocorreu por erro na administração do medicamento pelos proprietários. O uso de fenobarbital em gotas em nove animais foi associado com alto índice de falha terapêutica. Dos nove cães que receberam o fenobarbital em gotas, sete apresentaram problemas devido a salivação excessiva, pois os proprietários administraram a medicação gota a gota diretamente na cavidade oral, havendo perda do medicamento administrado, sendo necessário mudar a apresentação do medicamento para comprimido, obtendo-se assim um controle eficaz das crises epilépticas.

Sete proprietários não trouxeram seus animais às consultas previamente agendadas, sendo um proprietário do paciente pertencente ao grupo de controle rápido das crises, cinco proprietários dos animais que apresentaram controle demorado dos episódios e um proprietário de um animal que não apresentou controle das crises (quadro 1). No inicio do tratamento deve-se fazer retornos com intervalos menores, para a determinação da dose terapêutica eficaz e reavaliação do animal (4). Após estabilização do quadro, devem ser realizados retornos a cada três ou seis meses, para monitoração do paciente (20,21).

Duas pacientes vieram a óbito: uma cadela Poodle com 12 anos de idade, tratada com fenobarbital há seis anos, cujas crises estavam controladas, apresentou quadro de êmese e anorexia. Após exame de ultra-sonografia suspeitou-se de neoplasia hepática, e devido à piora do quadro clínico foi submetida à eutanásia, porém não foi permitido a necropsia. Fenobarbital administrado de forma crônica pode causar lesão hepática (19), mas esta não é frequente se a monitoração do tratamento for adequada (4). Nos exames bioquímicos anteriores deste paciente, a única alteração encontrada foi o aumento de fosfatase alcalina (106,2 U/l), o que é esperado devido à indução das enzimas hepáticas pelo fenobarbital (20).

O segundo paciente, uma cadela Poodle de 12 anos tratada há sete meses com o mesmo medicamento, com as crises também sob controle, apresentou êmese e diarreia com sangue, sendo a ultrasonografia sugestiva de pancreatite aguda. Realizou-se laparotomia exploratória que permitiu a confirmação da suspeita e mesmo com o tratamento indicado para pancreatite, houve piora do estado geral e óbito. A pancreatite é relatada em cães recebendo fenobarbital associado ao brometo de potássio (22), entretanto neste caso esta associação não foi feita.

Em uma paciente Cocker Spaniel Inglês de cinco anos de idade não castrada, com histórico de crises epilépticas há um ano, encaminhada por colega, e já medicada com fenobarbital na dose de 3mg/kg a cada 12 horas, não houve sucesso no tratamento. Realizou-se check up, manteve-se a dose do medicamento e solicitou-se retorno para coleta de sangue para dosagem sérica, o que não foi feito pelo proprietário, culminando no atendimento do paciente em EE três meses após o atendimento inicial, ocorrendo então o óbito. Segundo Berendt et al (23), o diagnóstico de epilepsia em cães implica em um risco maior de óbito prematuramente, em média aos sete anos, sendo o prognóstico o resultado da combinação da capacidade do veterinário, sucesso terapêutico e motivação do proprietário, sendo que a mortalidade parece ser maior nos dois primeiros anos após o diagnóstico (23). A colaboração do proprietário é primordial para o sucesso terapêutico (4), e para facilitar esta interação os clínicos poderiam usar um sistema mais eficaz para agendar o retorno desses pacientes, para garantir que as reavaliações sejam realizadas adequadamente.

Entre as fêmeas, quatro eram castradas e três foram submetidas à ovariosalpingohisterectomia (OSH) durante o acompanhamento por indicação terapêutica (quadro 1). Os machos atendidos não eram castrados e apesar da indicação da cirurgia, apenas um animal foi submetido à orquiectomia (quadro 2). A esterilização até recentemente era indicada como parte do tratamento, pois durante o estro as alterações hormonais diminuem o limiar para ocorrência de crises epilépticas (15), o que também é observado em mulheres (24,25). No caso dos machos o estresse e hormônios também favorecem a ocorrência de crises epilépticas (4). Após a orientação, apenas quatro proprietários concordaram com a esterilização, havendo bastante dificuldade em convencer os proprietários a autorizarem este procedimento. Entretanto, Zimmemann et al. (5) observaram em um grupo de 394 cães que fêmeas esterilizadas apresentavam maior chance de EE quando comparado a fêmeas intactas e à população hospitalar, porém nenhuma explanação conclusiva foi feita com base nesta constatação (5), sendo ainda a esterilização recomendada com base em outros estudos (24).

Por se tratar de um hospital escola com um número elevado de profissionais envolvidos no atendimento destes casos, algumas dificuldades foram observadas, mas pretende-se com os resultados obtidos melhorar o tratamento dos pacientes. Assim, após o acompanhamento destes casos, sugere-se a implantação de: 1) uma ficha própria para o atendimento de cães com epilepsia, incluindo uma tabela para anotação dos resultados de todos os exames realizados periodicamente, o que permite verificar e acompanhar alterações súbitas do estado do paciente facilitando o atendimento do paciente quando há rodízio dos veterinários do setor; 2) entrega de uma cópia desta ficha ao proprietário para que em caso de emergência, o veterinário plantonista possa ter acesso rápido às informações; 3) realização de aulas de educação continuada do corpo clínico envolvido no atendimento destes casos.

Conclusão: Cães epilépticos e seus proprietários requerem atenção especial do clínico veterinário de pequenos animais, para que haja um correto esclarecimento sobre o distúrbio e seu tratamento, devendo-se realizar vários atendimentos até que a dose ideal do antiepiléptico seja estabelecida e o proprietário compreenda todas as recomendações e implicações do tratamento. As falhas observadas estiveram relacionadas à administração inadequada da medicação, principalmente na apresentação em gotas e ao não comparecimento nas consultas agendadas, por isso é importante ressaltar que um controle rápido e eficaz das crises epilépticas não depende apenas do clínico veterinário, mas da interação e comunicação do veterinário com o proprietário para que essas falhas sejam evitadas.

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9 de mai. de 2012

Potencial evocado auditivo para diagnóstico de surdez bilateral em dois cães

Cienc. Rural vol.42 no.3 Santa Maria mar. 2012

Mariana Isa Poci Palumbo; Luiz Antonio de Lima Resende; Luiz Henrique de Araújo Machado; Alexandre Secorun Borges

RESUMOO potencial auditivo evocado de tronco encefálico é um método eletrodiagnóstico não invasivo que permite avaliação objetiva do estado auditivo, da orelha média ao tronco encefálico, captando a atividade elétrica do sistema auditivo, gerada a partir de um estímulo sonoro específico. O uso desse teste não é difundido em animais no Brasil. Sendo assim, o objetivo do presente trabalho é relatar o diagnóstico de surdez bilateral em dois cães sem raça definida, com a utilização do potencial evocado auditivo de tronco encefálico.

ABSTRACTThe brainstem auditory evoked potential is a noninvasive electrodiagnostic test allowing an objective assessment of the hearing status, by capturing the electrical activity of the auditory system, from the middle ear to the brainstem, generated after a specific sound stimulus is performed. The use of this test is not common in animals in Brazil. Therefore, the objective of this study is to report the diagnosis of bilateral deafness in two mongrel dogs, using the brainstem auditory evoked potential.



3 de mai. de 2012

FUNDAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NEUROLOGIA VETERINÁRIA

Durante o 33º Congresso da ANCLIVEPA realizado na cidade de Curitiba entre os dias 27 e 30 de abril foi fundada a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NEUROLOGIA VETERINÁRIA (ABNV). Uma reunião prévia havia sido realizada também em Curitiba em Março durante o Neurovet, convidando todos os interessados a irem à Curitiba durante o Congresso da ANCLIVEPA para discutirem a fundação da Associação e a eleição de uma Diretoria. São objetivos da ABNV congregar os profissionais que atuam na área de neurologia, e promover eventos para divulgar e promover o crescimento da Neurologia Veterinária no Brasil. Durante o encontro em Curitiba foi eleita por unanimidade a primeira diretoria da ABNV cuja gestão terá duração de três anos. A diretoria eleita é composta dos seguintes membros:

Presidente: Ronaldo Casimiro da Costa
Vice-Presidente: Mônica Vicky Bahr Arias
1º secretário: Rogério Martins Amorin
2º Secretário: Vitor Márcio Ribeiro
1º Tesoureiro: Alex Adeodato
2º Tesoureiro: Ragnar Schamall
Diretor Científico: Bruno Benetti Torres
Diretor Social e de Marketing: Alexandre Mazzanti

Os membros eleitos da diretoria estão sentados. Da esquerda para direita são: Alex Adeodato, Bruno Benetti Torres, Mônica Vicky Bahr Arias, Ronaldo Casimiro da Costa, Ragnar Franco Schamall, Rogério Amorim, Vitor Bruno Ribeiro e Alexandre Mazzanti.





23 de abr. de 2012

Epilepsia em cães: 66 casos (2005-2010).

Aiello G., Santos R.P., Beckmann D.V., Andrades A.O., Ripplinger A. & Mazzanti A.

Pesquisa Veterinária Brasileira 32(4):347-351, 2012
O objetivo deste estudo foi identificar cães com epilepsia e obter informações a respeito da raça, do sexo, da idade, da classificação da epilepsia e da crise convulsiva, dos estágios e do período de ocorrência das crises convulsivas. Em 66,7% (44/66) dos cães a epilepsia foi primária, em 21,2% (14/66) sintomática e em 12,1% (8/66) provavelmente sintomática. Os cães sem raça definida (27%) foram os mais acometidos e a faixa etária predominou entre um e cinco anos de idade. A crise convulsiva generalizada tônico-clônica (66,7%) foi a mais observada, a procura pelo dono (72,7%) no período pré-ictal e o andar compulsivo (60,5%) no período pós-ictal foram os sinais mais encontrados e a ocorrência das crises convulsivas foi maior no período noturno (79,2%).

Epilepsy in dogs: 66 cases (2005-2010)

The objective of this study was to identify dogs with epilepsy and to obtain information about breed, sex, age, classification of the epilepsy and the seizures, as well as the stage and time of occurrence of the seizures. Epilepsy was primary in 66.7% (44/66) of dogs, symptomatic in 21.2% (14/66), and probably symptomatic in 12.1% (8/66). Crossbred dogs (27%) were the most affected and the predominant age group ranged from one to five years; the generalized tonic-clonic seizures (66.7%) was the most frequent presentation. The search for the owner (72.7%) during the preictal period

13 de abr. de 2012

Naturally Occurring Disk Herniation in Dogs: An Opportunity for Pre-Clinical Spinal Cord Injury Research

Jonathan M. Levine, Gwendolyn J. Levine, Brian F. Porter, Kimberly Topp,4 and Linda J. Noble-Haeusslein

J Neurotrauma. 2011 April; 28(4): 675–688.


Traumatic spinal cord injuries represent a significant source of morbidity in humans. Despite decades of research using experimental models of spinal cord injury to identify candidate therapeutics, there has been only limited progress toward translating beneficial findings to human spinal cord injury. Thoracolumbar intervertebral disk herniation is a naturally occurring disease that affects dogs and results in compressive/contusive spinal cord injury. Here we discuss aspects of this disease that are analogous to human spinal cord injury, including injury mechanisms, pathology, and metrics for determining outcomes. We address both the strengths and weaknesses of conducting pre-clinical research in these dogs, and include a review of studies that have utilized these animals to assess efficacy of candidate therapeutics. Finally, we consider a two-species approach to pre-clinical data acquisition, beginning with a reproducible model of spinal cord injury in the rodent as a tool for discovery with validation in pet dogs with intervertebral disk herniation.

11 de abr. de 2012

Facial paralysis associated to hypothyroidism in a dog

Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 33, n. 1, p. 351-356, jan./mar. 2012

Felipe Gazza Romão; Mariana Isa Poci Palumbo; Josyanne Christine Oshika; Luiz Henrique de Araújo Machado

The hypothyroidism is the most commonly endocrinopathy in dogs, that occurs preferentially in middle-aged pure breed. The clinical signs associated with hypothyroidism are variable, many times non-specific, including metabolical, dermatological or cardiovascular. The main laboratorial findings are non-regenerative anemia and hypercholesterolemia. Hyponatremia, increase on alanine transferase and alkaline phosphatase activity also can be observed in a lower frequency. There are some reports of peripheral neuropathies caused by hypothyroidism, but the pathophysiology of this process is still unknown. There are specific diagnostic tests that can be used to help diagnose hypothyroidism, and those should be aligned together with the animal´s clinical symptoms. The thyroxine stimulating hormone, and free and total thyroxine concentrations are the most used tests. A Pit Bull dog, female, over weighted, was treated presenting left facial paralysis. Thyroid function tests confirmed hypothyroidism. The animal was treated with hormonal replacement and there was improvement in clinical signs in 40 days, confirming that hypothyroidism was facial paralysis’ cause.


Paralisia facial associada a hipotireoidismo em um cão

O hipotireoidismo é a endocrinopatia mais comum em cães, que acomete preferencialmente animais de meia-idade de raça pura. Os sintomas clínicos são bastante variados, e muitas vezes inespecíficos, incluindo alterações metabólicas, dermatológicas ou cardiovasculares. Os principais achados laboratoriais são anemia arregenerativa e hipercolesterolemia. Hiponatremia, aumento da atividade da fosfatase alcalina e da alanina aminotransferase também podem ser observadas com menor frequência. Existem alguns relatos de neuropatias periféricas causadas por hipotireoidismo, mas a fisiopatologia deste processo é ainda desconhecida. Existem testes específicos, utilizados no auxílio ao diagnóstico do hipotireoidismo, que devem ser interpretados em conjunto com os sinais clínicos do animal. As concentrações de tireotopina (TSH), tiroxina (T4) livre e total são os testes hormonais mais utilizados. Uma cadela da raça Pit Bull, obesa, foi atendida apresentando paralisia facial esquerda. Os exames de função tireoideana confirmaram hipotireoidismo. O animal foi tratado com reposição hormonal e houve melhora dos sinais clínicos em um período de 40 dias, confirmando o hipotireoidismo como causa da paralisia facial.

4 de abr. de 2012

Atypical necrotizing encephalitis associated with systemic canine distemper virus infection in pups

J. Vet. Sci. (2011), 12(4), 409-411

Alexandre Mendes Amude, Selwyn Arlington Headley, Amauri Alcindo Alfieri, Suely Nunes Esteves Beloni, Alice Fernandes Alfieri


This report describes the naturally occurring atypical neuropathological manifestation of systemic canine distemper virus (CDV) infection in two 16-day-old Pit Bull pups. CDV-induced changes affected the gray and white matter of the forebrain while sparing the hindbrain. Histologically, there was necrosis with destruction of the nervous parenchyma due to an influx of inflammatory and reactive cells associated with eosinophilic intranuclear inclusion bodies within glial cells. Positive immunoreactivity against CDV antigens was predominantly observed within astrocytes and neurons. RT-PCR was used to amplify CDV-specific amplicons from brain fragments. These findings suggest the participation of CDV in the etiopathogenesis of these lesions.

2 de abr. de 2012

Co-infecção pelo vírus da cinomose canina e Toxoplasma gondii em cães com sinais neurológicos.

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. 2012, vol.64, n.1, pp. 221-224.

Canine distemper virus and Toxoplasma gondii co-infection in dogs with neurological signs

D.M. Aguiar, A.M. Amude2, L.G.F. Santos1, M.G. Ribeiro, T.E.H. Ueno4, J. Megid3, A.C. Paes, A.F. Alfieri, A.A. Alfieri, S.M.

O presente estudo relata a ocorrência de co-infecção entre o vírus da cinomose canina (CDV) e Toxoplama gondii em cães com sinais neurológicos. Amostras de soro e tecido nervoso (pos-mortem) de 21 cães, suspeitos de cinomose canina foram analisadas pela Reação de Imunofluorecência indireta (RIFI) para pesquisa de anticorpos contra T. gondii e N. caninum e por RT-PCR para CDV. Dezessete (80,9%) cães foram positivos para o CDV pela RT-PCR e 8 (38,1%) foram positivos para anticorpos contra T. gondii. Sete cães (41,1%) apresentaram-se positivos para ambos agentes, caracterizando processo de co-infecção. Somente 1 (4,7%) cão foi soropositivo para N. caninum (RIFI=100), entretanto este mesmo animal foi positivo para T. gondii (RIFI=4096) e para CDV (RT-PCR).

21 de mar. de 2012

Recuperação funcional de cães paraplégicos com doença do disco intervertebral toracolombar sem percepção à dor profunda submetidos à cirurgia

Santos R.P., Beckmann D.V., Aiello G., Berté L., Ripplinger A., Neto D.P. & Mazzanti A.


Pesquisa Veterinária Brasileira 32(3):243-246.


RESUMO: O objetivo deste estudo retrospectivo foi avaliar a recuperação funcional de cães paraplégicos sem percepção à dor profunda (PDP) com doença do disco intervertebral (DDIV) toracolombar submetidos à hemilaminectomia dorsolateral. Foram incluídos somente cães com DDIV entre os segmentos da medula espinhal T3 e L3, que estavam paraplégicos sem PDP submetidos à cirurgia descompressiva. Foi observada recuperação funcional satisfatória em 73,3% dos cães (n=11), sendo um, aos cinco dias, sete entre 15 e 30 dias e três acima de 30 dias do procedimento cirúrgico. A duração da perda da PDP antes da cirurgia em cinco cães recuperados foi entre 12 e 48 horas e, em seis cães, acima de 48 horas. Cães paraplégicos sem PDP em decorrência da DDIV toracolombar podem apresentar recuperação funcional satisfatória quando submetidos ao tratamento cirúrgico mesmo sem percepção a dor profunda com tempo superior a 48 horas. Futuras pesquisas serão necessárias para avaliar a eficiência do tratamento cirúrgico, principalmente para aqueles que perderam a PDP acima de 48 horas.


ABSTRACT: This retrospective study was to evaluate the functional recovery of paraplegic dogs without deep pain perception (DPP) with intervertebral disc disease (IVDD) submitted to dorsolateral hemilaminectomy. Only dogs with IVDD between spinal cord segments T3 and L3, which were paraplegic without DPP and were submitted to decompressive surgery were included in the study. Satisfactory functional recovery was observed in 73.3% of the dogs (n=11). Recovery time after surgery was one day (one dog), between 15 and 30 days (seven dogs) and over 30 days 30 days 3 dogs). The duration of the lack of DPP before surgery was 12-48 hours, in five recovered dogs and over 48 hours in six recovered dogs It can be concluded that paraplegic dogs with thoracolumbar IVD and lack of DPP may present satisfactory functional recovery when submitted to surgical treatment even when the absence of deep pain perception has settled for more than 48 hours. Further research is needed to better evaluate the effectiveness of surgical treatment, mainly for dogs with lack of DPP over 48 hours.

16 de fev. de 2012

Neoplasmas envolvendo o sistema nervoso central de cães:26 casos (2003-2011)

Autores: Santos, RP, Fighera RA, Beckmann DC, Brum JS, Ripplinger A, Neto DP, Baumhardt R, Mazzanti A.

RESUMO


O objetivo deste estudo retrospectivo foi identificar cães com neoplasmas envolvendo o sistema nervoso central (SNC), atendidos entre janeiro de 2003 a junho de 2011, no HVU-UFSM, e obter informações a respeito da raça, do sexo, da idade, dos sinais neurológicos, da localização, da evolução clínica, do tipo e da origem do tumor e dos achados de exames complementares. Os 26 neoplasmas envolvendo o SNC incluídos nesse estudo ocorreram principalmente em Boxers (35%), com predomínio de idade de cinco anos ou mais (92,3%). A evolução dos sinais clínicos nos neoplasmas encefálicos variou entre sete e 115 dias e nos medulares entre sete a 420 dias. Os sinais neurológicos principais em cães com neoplasmas encefálicos e medulares foram alteração do nível de consciência (58%), caracterizada principalmente por sonolência, e hiperestesia espinhal (57%), respectivamente. As regiões tálamo-cortical e T3-L3 foram as mais acometidas (58% e 43%, respectivamente). Dos 12 neoplasmas que afetaram o encéfalo, 10 eram primários (83,3%). Dos 14 neoplasmas que afetaram a medula espinhal, apenas quatro eram primários (28,6%). Dos neoplasmas encefálicos e medulares primários, o mais comum foi o meningioma, perfazendo 40% e 75% dos casos, respectivamente.

ABSTRACT


This retrospective study was aimed to identify dogs with neoplasms affecting the central nervous system (CNS) and compile information on the affected breeds, sex, age group, anatomical site of the tumor, type of clinical signs and clinical course, and laboratory results. The study included the cases submitted to the Veterinary Teaching Hospital (HVU) of the Federal University of Santa Maria (UFSM), Brazil, from January 2003 to June 2011. The 26 neoplasms affecting the CNS included in this study occurred mainly in Boxers (35%) and the predominantly affected age-group was 5-year-old or older (92.3%). The course of clinical signs in dogs with brain neoplasms was 7-115 days and that of spinal cord tumors was 7-420 days. The most frequently observed neurological signs in dogs with brain and spinal cord neoplasms were respectively changes in the conscience levels (58%), which were characterized by somnolence, and spinal hyperesthesia (57%). The cortico-thalamic region and the T3-L3 spinal cord segment were the most frequently anatomical sites involved (58% and 43%, respectively). Ten out 12 neoplasms affecting the brain were primary (83.3%) whereas only four of those 14 neoplasms affecting the spinal cord were primary (28.6%). Meningioma was the most frequent m primary neoplasms affecting


27 de jan. de 2012

Intracranial variables in propofol or sevoflurane-anesthestized dogs subjected to subarachnoid administration of iohexol

Variáveis intracranianas em cães anestesiados com propofol ou sevofluorano e submetidos à administração subaracnóidea de iohexol

N. Nunes; A.V. Leite; D.P. Paula; C.T.D. Nishimori; A.P. Souza; P.S.P. Santos; P.N. Henao Guerrero; P.C.F. Lopes

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.63 no.6 Belo Horizonte dez. 2011

ABSTRACT

The effects of subarachnoid administration of iohexol on intracranial hemodynamic in dogs anesthetized with propofol or sevoflurane were evaluated. Thirty adult animals (10.9±2.9kg) were distributed into two groups: PG, where propofol was used for induction (10±0.5mg/kg), followed by a continuous rate infusion at 0.55±0.15mg/kg/hour, and SG, where sevoflurane was administered for induction (2.5 MAC) and for anesthetic maintenance (1.5 MAC). A fiberoptic catheter was implanted on the right superficial cerebral cortex to monitor intracranial pressure (ICP). After 30 minutes, cerebrospinal fluid (CSF) was collected at the cisterna magna and iohexol was injected. The measurements were performed before CSF collection (TA), after the iohexol injection (T0), and at 10-minute intervals (T10 to T60). Intracranial pressure decreased at T0 in SG. Cerebral perfusion pressure at T0 was higher than at TA, T50 and T60 in PG, but in SG, the mean value at T0 was higher than the ones from T20 to T60. Mean arterial pressure at T0 was higher than at TA in PG, while in SG, the values from T20 to T60 were lower than at T0. The heart rate at T60 was lower than at T0 in PG. Cardiac output at TA was lower than at T60 in SG. The cerebrospinal fluid collection and administration of iohexol promoted decrease in intracranial pressure in sevolflurane-anesthetized dogs and increase in cerebral perfusion pressure in propofol-anesthetized dogs.

25 de jan. de 2012

Hemangiossarcoma cutâneo com metástase no sistema nervoso central de um canino

Cutaneous hemangiosarcoma with metastasis in the central nervous system of a canine

Kilder Dantas Filgueira, Paulo Fernando Cisneiros da Costa Reis, Jael Soares Batista & Valéria Veras de Paula

Acta Scientiae Veterinariae, 2012. Pub 40(1): 1024

ABSTRACT

Canine hemangiosarcoma is a malignant neoplasm of endothelial cells. Such tumor has most commonly its primary location in the spleen, right atrium, subcutaneous tissue and liver. In general, metastases occur in the liver, omentum, mesentery and lung. The nervous system may be a metastasis site, but with rare spinal cord involvement. This paper aims at the description of canine cutaneous hemangiosarcoma with metastasis to the central nervous system.Case: A dog presented history of skin neoplasia. The patient underwent physical examination, which detected an exophytic tumor in the foreskin. Needle aspiration of the lesion was carried out, suggesting the presence of malignant neoplasm of mesenchymal origin. So, the lesion surgical excision was the option. Before the procedure, complementary preoperative examinations of the patient were required. Those corresponded to chest radiographs, abdominal ultrasound, complete blood count, serum urea, creatinine, alanine aminotransferase, aspartate aminotransferase and total protein. The image diagnostic of the thoracic and abdominal cavities showed no noteworthy changes. The hematology and serum biochemistry were normal. The tumor obtained during surgery was sent for histopathological analysis, whose diagnosis corresponded to hemangiosarcoma. Chemotherapy treatment was not possible in the animal. Nine months after the surgery, alterations in the canine movement were detected as well as postural reactions of the right forelimb, with paresis and reduced proprioception of the same. Hyperesthesia was also found in the spine, in the cervical and thoracic segments. Due to the patient’s clinical condition, euthanasia was recommended. The animal was sent for autopsy, where the main macroscopic lesions were dark red areas in the left brain and spinal cord compression by a tumor between the bodies of the seventh cervical vertebra and the fi rst chest one. All material was sent for histopathological examination, which revealed the presence of hemangiosarcoma in the structures examined, suggesting metastasis to the central nervous system from the primary cutaneous site.Discussion: The majority of dogs with cutaneous hemangiosarcoma, during the initial clinical presentation, have already presented a primary tumor in another organ. However, in the present report, there was an inversion of this quotation, since the initial site of the tumor probably corresponded to the skin as, during the fi rst approach, the patient’s chest radiographs and abdominal ultrasound did not reveal metastastic injuries. Also, at that time, the dog did not exhibit clinical signs related to tumor spread, unlike the symptoms observed after nine months. To hemangiosarcomas with location in the frontal lobe of the brain, contralateral postural reaction defi cits can be observed. Such statement may justify, for the case under discussion, the association of the lesions in the left cerebral hemisphere with disabilities in the proprioception in the rightforelimb. Hemangiosarcomas of the spine with extradural location cause gradual compression of the spinal cord and thus favor the development of progressive myelopathy symptoms. This quote could explain the spine hyperesthesia and the monoparesis reported in the animal. The histopathology of skin tumors is essential to establish the defi nitive diagnosis and for better understanding of future pathologies.

9 de dez. de 2011

MUCOPOLYSACCHARIDOSIS IN DOG – REPORT OF TWO CASES

Mucopolissacaridose em cão – Relato de dois casos.

M. V. B. ARIAS, R. A. MARCASSO, S. RASKIN, S. C. BEGO, M. G. BURIN

Ars Veterinaria, v. 27, n. 4 (2011)

Resumo
Mucopolissacaridoses são um grupo de afecções hereditárias do armazenamento lisossomal , causada por deficiência de hidrolases lisossomais, necessárias para a degradação das glicosaminoglicanas. Neste relato são escritos dois casos de mucopolissacaridose em cães: Um cão macho, Pitbull, de 60 dias, foi atendido devido à dificuldade de locomoção com os quatro membros e aumento de volume articular. No exame clínico constatou-se aumento de volume e deformidades em articulações e pectus cavinatum. Nas radiografias do sistema esquelético observou-se disostose multiplex. O outro paciente, uma canina fêmea, Rottweiler, de oito meses, foi atendida devido à dificuldade progressiva de locomoção. No exame clínico constatou-se tetraplegia, opacidade corneal, aumento de volume em língua e deformidade em crânio. Para triagem de mucopolissacaridose, realizou-se na urina dosagem qualitativa e quantitativa de glicosaminoglicanos e ensaios enzimáticos no plasma para dosar a atividade de enzimas lisossômicas. Apesar da confirmação de mucopolissacaridose com os testes de triagem, não foi possível diferenciar entre os tipos II ou VI.

SUMMARY

Mucopolysaccharidosis are a group of inherited lysosomal storage disorders caused by deficiency of lysosomal hydrolases needed for the stepwise degradation of glycosaminoglycans. In this report we describe two cases of mucopolysaccharidosis in dogs. A two-month-old male Pitbull was referred with difficulty in locomotion in four limbs and swelling in joints. Clinical examination showed increasing volume of articulations, bad limb angulations with ambulation difficulties and pectus cavinatum. Radiographical exams of the skeletal system showed dysostosis multiplex. The other dog was an eight-month-old female Rottweiler that was referred due to progressive difficulty in walking. Clinical examination showed tetraplegia, corneal opacities, enlarged tongue and skull deformities. For screening mucopolysaccharidosis, a qualitative and quantitative measurement of urinary glycosaminoglycans and plasma enzymatic assays to evaluate the activity of lysosomal enzymes were made in both dogs. Despite the confirmation of mucopolysaccharidosis with the screening tests, the type between II and VI could not be distinguished.